Em sabatina à CBN, candidato ao Senado apresentou propostas para infraestrutura, segurança pública, pacto federativo e mudanças nas regras do Supremo Tribunal Federal
O candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) defendeu nesta quinta-feira (3), durante sabatina promovida pela rede CBN no Paraná, uma atuação mais presente da representação paranaense em Brasília. Entre as propostas apresentadas estão a criação de um fundo destinado à Região Sul, mudanças no pacto federativo e maior articulação com o governo federal em projetos de infraestrutura, segurança e desenvolvimento econômico.
Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Curi afirmou que pretende levar ao Senado a experiência de interlocução com municípios e órgãos públicos construída durante seus mandatos como deputado estadual.
A entrevista foi transmitida pelas emissoras da CBN em Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina e Ponta Grossa, dentro de uma série de sabatinas com candidatos paranaenses ao Senado.
Fundo para a Região Sul
Uma das propostas apresentadas por Curi foi a criação de um Fundo Sul, destinado ao financiamento de projetos no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
“Por que tem um fundo para o Nordeste e nós não temos um fundo para os estados do Sul? Temos que nos unir, os senadores do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, e criar um Fundo Sul”, declarou.
Atualmente, a Constituição prevê fundos constitucionais de financiamento para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Não existe um mecanismo equivalente destinado especificamente aos três estados do Sul.
Curi citou as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul e episódios recentes de eventos climáticos severos no Paraná como exemplos de situações nas quais um fundo regional poderia ampliar a capacidade de resposta dos governos estaduais.
Pacto federativo
Durante a sabatina, o candidato também defendeu mudanças na distribuição dos recursos arrecadados pela União. Segundo Curi, o Paraná arrecada aproximadamente R$ 108 bilhões por ano em tributos federais e recebe cerca de R$ 37 bilhões em recursos da União.
“Os estados precisam ter mais autonomia. O Paraná é a quarta economia do Brasil”, afirmou.
Curi também disse que pretende acompanhar prefeitos e lideranças municipais em demandas apresentadas a ministérios e órgãos federais, além de participar de discussões nacionais com impacto direto no Estado.
Ferrovias e aeroportos
A infraestrutura ferroviária esteve entre os principais temas abordados na entrevista. Curi citou as discussões sobre a Malha Sul e defendeu maior participação do Paraná nas decisões sobre o futuro da concessão.
Entre os projetos mencionados está a implantação de um contorno ferroviário para reduzir a circulação de trens na área urbana de Curitiba. O candidato também apontou a Nova Ferroeste como um empreendimento estratégico para ampliar a capacidade de escoamento da produção paranaense.
Outro projeto citado foi a terceira pista do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. A licença de instalação foi emitida pelo Instituto Água e Terra (IAT) em agosto e permite à concessionária iniciar a implantação do canteiro e a execução da nova pista, prevista para ter três quilômetros de extensão.
Segundo Curi, os senadores devem atuar junto aos órgãos federais quando projetos considerados estratégicos para o Paraná enfrentarem entraves administrativos.
Fronteira e royalties
Curi também abordou demandas de Foz do Iguaçu e da região de fronteira. O candidato citou áreas como segurança pública, saúde, fiscalização aduaneira e infraestrutura, além de defender a ampliação da estrutura necessária para a operação da Ponte da Integração Brasil–Paraguai.
Sobre a distribuição dos royalties do petróleo, o candidato defendeu uma participação maior do Paraná nos recursos. Mudanças aprovadas pelo Congresso em 2012 tiveram os efeitos suspensos por decisão cautelar do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano seguinte. O julgamento sobre a constitucionalidade das novas regras foi retomado em maio, mas voltou a ser suspenso após um pedido de vista.
Supremo Tribunal Federal
Durante a entrevista, Curi afirmou ser favorável à análise, pelo Senado, dos pedidos de impeachment apresentados contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
“Senador tem que votar um processo de impeachment como juiz, baseado em provas”, declarou.
O candidato também defendeu mudanças nas regras de funcionamento do Supremo. Entre as propostas mencionadas estão mecanismos de fiscalização externa, normas para a atuação de familiares de ministros perante a Corte, maior transparência sobre palestras remuneradas, quarentena após a aposentadoria e alterações no processo de escolha dos integrantes do tribunal.
Curi sugeriu que parte das vagas seja ocupada por integrantes da magistratura e que outras sejam destinadas a representantes da advocacia e do Ministério Público.
Guardas municipais
Na área de segurança pública, o candidato defendeu a ampliação das atribuições das guardas municipais e maior integração entre as forças municipais, estaduais e federais.
Segundo Curi, o governo federal pode participar do financiamento de câmeras, sistemas de videomonitoramento e tecnologias destinadas à segurança das cidades.
“Nós podemos fazer grandes investimentos com recursos do governo federal na instalação de câmeras nos municípios, para integrar com as muralhas digitais”, afirmou.
No encerramento da sabatina, Curi disse que pretende utilizar um eventual mandato no Senado para ampliar a interlocução do Paraná com o governo federal e o Congresso Nacional.
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