A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) facilitou o primeiro implante de um coração artificial via Sistema Único de Saúde (SUS) em um paciente do estado. A cirurgia foi realizada com sucesso em Andressa Fátima Reinaldi Banach, de 38 anos, residente em São José dos Pinhais, no último dia 12 de maio, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A paciente recebeu alta no dia 29 do mesmo mês.
Condições de Saúde
Andressa enfrentava um quadro grave de insuficiência cardíaca, com dilatação do ventrículo esquerdo, o que comprometia sua capacidade de bombear sangue. Além disso, ela não era elegível para um transplante convencional devido a complicações relacionadas a gestações anteriores, que geraram uma alta sensibilização imunológica e reduziram suas chances de encontrar doadores compatíveis.
Marco para a Saúde Pública
O secretário de Saúde, César Neves, descreveu o caso como um avanço significativo para a saúde pública do Paraná. Ele destacou a importância da articulação entre hospitais locais e especialistas em São Paulo, garantindo a Andressa acesso ao tratamento adequado, que incluiu logística para transporte aéreo em UTI.
Desafios no Tratamento
Inicialmente, Andressa foi atendida no Hospital Angelina Caron, onde passou por complicações após a gestação de seu quinto filho e precisou de cuidados intensivos. Sua condição era crítica, impossibilitando-a de realizar atividades diárias, como cuidar do recém-nascido.
A Evolução do Caso
Depois de um tratamento prolongado, Andressa foi transferida ao Hospital do Rocio, onde continuou a busca por um transplante. No entanto, a equipe médica constatou a incompatibilidade com doadores, o que obrigou a considerar o uso do HeartMate 3, um dispositivo que poderia melhorar sua qualidade de vida.
Preparação da Equipe Médica
Para a cirurgia, a equipe do Hospital do Rocio teve que passar por intensivos treinamentos. Desde 2015, a instituição já realizava transplantes cardíacos, mas a introdução do HeartMate 3 exigiu habilidades específicas. Profissionais se deslocaram até São Paulo para aprender sobre o novo equipamento.
Apoio Familiar e Expectativas Futuras
Andressa e sua família receberam treinamento para acompanhá-la em casa após a cirurgia, enfatizando a importância dos cuidados com o dispositivo. O marido e a irmã foram escolhidos para essa função, identificando a necessidade de ao menos dois cuidadores permanentes.
Custos e Sustentação do Tratamento
O procedimento foi financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). Além de pagar pela cirurgia, a Sesa se comprometeu a suportar todos os cuidados clínicos que Andressa precisará por toda a vida. O implante do dispositivo foi oficialmente incorporado ao SUS no final de 2024, ampliando as opções para pacientes em situação semelhante.