Nesta semana, a sede das Nações Unidas em Nova Iorque sedia o 21º Fórum sobre Florestas, evento que promete influenciar mudanças na legislação do setor com a resolução “omnibus” de 2026. O diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian, enfatiza que o foco do Brasil é a implementação de metas globais de preservação, unindo economia, tecnologia e justiça social.
Pensar “fora da caixa”
Durante o fórum, o Brasil propõe recompensar países que protegem suas florestas e mantêm taxas de desmatamento reduzidas, assegurando uma renda anual que permitirá investimentos robustos nos Ministérios do Meio Ambiente para fiscalização e combate a crimes ambientais.
Batmanian afirmou: “Precisamos de uma resolução com definições claras sobre meios de implementação para atingir as metas já estabelecidas. Não estamos buscando novas demandas, mas queremos garantir a aplicação das que já existem. É hora de pensar fora da caixa e criar ideias inovadoras.”
O ano atual é crucial para o plano global de florestas, que abrange o período de 2017 a 2030. O Brasil defende que o foco deve ser a execução das metas já definidas.
Uma das principais iniciativas brasileiras é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido em inglês como Tropical Forest Facility (TFFF), que visa atrair investimentos globais.
Reconhecimento local: Programa Bolsa Verde
O Brasil também propõe que a conservação das florestas deve começar com as comunidades que nelas habitam. Batmanian destacou que o país reconhece o “serviço ambiental” dessas comunidades, atualmente oferecendo pagamentos mensais a famílias que mantêm áreas florestais preservadas. Segundo ele, essa iniciativa já atende a dezenas de milhares de famílias.
De acordo com as autoridades brasileiras, a nova abordagem demonstra que é possível obter lucro sem desmatamento, através do uso inteligente do solo e recursos, incluindo a reflorestação de áreas degradadas, com custos eventualmente cobertos por créditos de carbono.
Manejo florestal de baixo impacto
Batmanian explica que, nesse modelo de manejo de baixo impacto, a extração controlada gera receita tanto para empresas quanto para comunidades locais, preservando o bioma. “Cerca de 67 mil famílias recebem mensalmente uma compensação pelo serviço de manutenção da floresta, mostrando que a conservação pode ser financeiramente viável,” afirmou.
Uma das grandes apostas brasileiras no cenário internacional é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre
Essa nova abordagem contribui para transformar a conservação em uma alternativa viável de subsistência, ajudando a combater a pobreza extrema. Em 2025, o Brasil ampliou em 35% a área de manejo florestal, atraindo novos investidores privados.
Serviço Florestal Brasileiro em Destaque
Os produtos não madeireiros, como açaí, castanha, cacau e óleos, incluindo o de andiroba, ganham destaque na economia, promovendo a biodiversidade e o valor das florestas.
Para este ano, a estratégia do Brasil visa alinhar o apoio financeiro internacional a ações locais práticas e ao combate a incêndios, fortalecendo o extrativismo comunitário com a ajuda de recursos globais.
O diretor do Serviço Florestal Brasileiro finaliza ressaltando que o objetivo é mostrar ao mundo que “a floresta em pé vale muito mais do que a mata derrubada.”
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
