Um caso de estupro ocorrido em 2013, em Ponta Grossa, Paraná, foi solucionado mais de uma década depois, graças ao cruzamento de dados do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). A identificação do suspeito foi viabilizada pela comparação automatizada de perfis de DNA, permitindo a reabertura do inquérito e a responsabilização do autor.
Importância da Genética Forense
Esse caso ilustra a relevância da genética forense nas investigações criminais, especialmente em situações antigas sem autoria definida. O material biológico coletado na época foi preservado e inserido no banco de dados, permitindo que, anos depois, a tecnologia conectasse evidências para apontar o responsável pelo crime.
Sistema Automatizado de Busca
“A coincidência foi identificada a partir de uma rotina automatizada de buscas entre os perfis inseridos no banco estadual. O sistema realiza essas buscas semanalmente, comparando novos perfis com os já existentes”, esclarece Luciellen Kobachuk, perita oficial da Polícia Científica do Paraná (PCIPR) e administradora do banco.
Abertura do Inquérito e Denúncia
Após a identificação do suspeito, a Polícia Civil notificou a Justiça, que determinou a reabertura do inquérito policial. O Ministério Público apresentou uma denúncia formal por estupro contra o investigado, que atualmente está preso em outro Estado por delitos distintos.
Iniciativas para Reduzir o Backlog
O avanço alcançado neste caso é impulsionado por iniciativas como o projeto Backlog, parte da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos. Em 2021, a PCIPR processou mais de 2 mil vestígios de DNA relacionados a crimes sexuais, ultrapassando a meta nacional e contribuindo para desbloquear investigações pendentes.
O projeto visa reduzir o volume de amostras aguardando análise, conhecido como “backlog”, e ampliar a base de dados genéticos. Isso potencializa a identificação de autores de crimes, conecta ocorrências com a mesma autoria e, em alguns casos, inocenta suspeitos.
Resultados Positivos
Os resultados já demonstram um impacto significativo: o processamento dessas amostras resultou em 342 coincidências positivas entre materiais genéticos de vítimas e suspeitos, produzindo mais de 70 laudos periciais que subsidiaram investigações em todo o país. “Ainda existem outros laudos de matches envolvendo indivíduos condenados, oriundos das amostras processadas durante o período de backlog”, ressalta Kobachuk.
Somente em 2025, novas inserções no banco resultaram em pelo menos 11 coincidências confirmadas entre perfis genéticos de vítimas de violência sexual e perfis de condenados recentemente inseridos na base, destacando a eficácia contínua do sistema.
Compromisso com a Justiça
A Polícia Científica do Paraná mantém de forma permanente a coleta, análise e inserção de perfis genéticos no BNPG, por meio do projeto Backlog e outras iniciativas estaduais. Esse trabalho contínuo fortalece a capacidade de elucidação de crimes antigos e reforça a ciência como uma aliada vital da segurança pública e da busca por justiça para as vítimas.
