10/03/2026 – 16:09
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Debate ressalta a necessidade de inovação contra a poluição plástica
Durante um debate na Câmara dos Deputados, o governo brasileiro expôs os desafios enfrentados para alcançar um acordo global no combate à poluição plástica. A discussão, promovida pela Frente Parlamentar Mista Ambientalista, também destacou os avanços na regulação nacional do setor.
Negociações Frustrantes
Luciana Melchert, representante do Ministério das Relações Exteriores, descreveu as negociações promovidas pelas Nações Unidas como frustrantes em 2025. De acordo com Melchert, os encontros foram marcados por tensões, refletindo interesses divergentes entre os países envolvidos. A próxima rodada de negociações está agendada para 2027.
Implicações da Guerra Comercial
Adalberto Maluf Filho, secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, apontou que nas reuniões já se abandonou a proposta de limitar a produção de plásticos. Ele mencionou a ausência de países-chave, como os Estados Unidos, nas conversações. Maluf também comentou sobre a queda significativa no custo de produção da resina de plástico, consequência da guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que dificulta a implementação de medidas eficazes para reduzir a produção e aumentar a reciclagem.
“A guerra comercial gerou uma distorção enorme nos preços da resina, dificultando ações para reduzir a produção ou promover a reciclagem”, enfatizou Maluf.
Além disso, ele destacou que o Brasil está desenvolvendo um índice de reciclabilidade do plástico e advogando por alternativas ao uso de plásticos descartáveis, como colheres de sobremesa. Outro desafio é que apenas um terço dos municípios brasileiros realiza coleta seletiva.
Inovação Tecnológica
O deputado Ricardo Galvão (Rede-SP), membro da Frente Parlamentar Mista Ambientalista, argumentou que o Brasil tem potencial para liderar inovações tecnológicas no setor de plásticos. Ele citou a utilização de uma tocha de plasma originária da Coreia do Sul, capaz de incinerar plásticos sem gerar resíduos tóxicos.
Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Preocupações com a saúde e biodiversidade relacionadas ao plástico
Urgência na Regulação
Zuleica Nycz, do Conselho Nacional de Segurança Química, alertou para a urgência de ações no contexto da poluição plástica. Ela revelou que já foram identificadas 16 mil substâncias no plástico, das quais 26% são consideradas perigosas para a saúde humana e a biodiversidade.
“A regulação é insuficiente e aplicada a poucos produtos. Proibir o bisfenol em uma mamadeira não resolve, pois a criança pode estar exposta a ele em outros tipos de plásticos em casa”, disse Nycz.
O governo estima uma produção global de 500 milhões de toneladas de plástico ao ano, com previsão de dobrar até 2060. Atualmente, apenas 9% do plástico produzido é reciclado, 50% vai para aterros e 22% é descartado inadequadamente.
Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra
