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Governo do estado amplia acervo literário de 31 escolas com livros de autores indígenas

O Governo do Estado do Paraná prepara uma ação significativa para 2026, ao disponibilizar livros escritos por autores indígenas para as bibliotecas de 31 escolas da rede estadual. O projeto visa ampliar o acesso a narrativas dos povos originários e valorizar a diversidade cultural na educação, beneficiando aproximadamente 3,6 mil estudantes das etnias Kaingang, Guarani e Xetá.

O Projeto Educacional

As obras selecionadas incluem temas históricos e contemporâneos sobre os povos indígenas, com exemplares disponíveis em formato bilíngue. Essa iniciativa tem como objetivo valorizar as tradições e expressões culturais das comunidades indígenas no Brasil.

A Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) está à frente do projeto, que é viabilizado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) e conta com recursos federais do Programa Dinheiro Direto na Escola – Equidade (PDDE – Equidade). Este programa destina verbas complementares a instituições que oferecem educação escolar indígena, quilombola, do campo, EJA e educação especial.

Declarações das Autoridades

Roni Miranda, secretário de Estado da Educação, destacou a importância da iniciativa para promover a diversidade na educação escolar indígena no Paraná. “Esses livros representam as histórias, línguas e tradições dos alunos, ampliando as possibilidades de aprendizado com respeito à identidade cultural dos povos indígenas”, afirmou.

Eliane Teruel Carmona, diretora-presidente da Fundepar, ressaltou que o projeto não se limita à entrega de livros. “Estamos contribuindo para o enriquecimento das bibliotecas escolares com obras que valorizam a cultura indígena e fortalecem a identidade dos estudantes”, disse. Ela enfatizou que a Fundepar trabalha para garantir que as escolas tenham as condições necessárias para desenvolver práticas pedagógicas que respeitem a diversidade cultural.

Autoria e Obras em Destaque

Entre os autores que terão suas obras incluídas no acervo, destaca-se Olívio Jekupe, escritor guarani da aldeia Kakane Porã, em Curitiba. Com cerca de 30 livros publicados em diversos gêneros, Jekupe aborda, em sua trajetória literária, temas sociais e culturais da comunidade guarani.

Oito de suas obras serão direcionadas às escolas indígenas, incluindo “Iarandu, o cão falante”, que retrata a amizade mágica entre um menino e seu cachorro falante, e “A Mulher que virou Urutau”, que explora o folclore indígena e a origem do pássaro urutau.

Impacto na Comunidade Escolar

No Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e, em Diamante do Oeste, a chegada dos livros foi celebrada pela comunidade escolar. O diretor Jairo César Bortolini compartilhou o entusiasmo dos alunos, que se reconheceram nas histórias e vivências representadas. “Esses livros não apenas fortalecem a identidade, mas também mostram que são protagonistas de suas histórias”, afirmou.

Bortolini acrescentou que a literatura indígena nas escolas é um reconhecimento histórico das vozes indígenas, permitindo que os alunos se conectem com sua ancestralidade e tradições, além de fomentar o interesse pela leitura e o orgulho cultural.

A Rede de Educação Indígena

Atualmente, a rede estadual de ensino do Paraná conta com 40 escolas indígenas que atendem mais de 5 mil alunos das etnias Kaingang, Guarani, Xokleng e Xetá. Essas instituições implementam uma pedagogia e funcionamento próprio, respeitando a especificidade étnico-cultural de cada comunidade. Os estudantes têm direito a um ensino intercultural e bilíngue, com aulas de língua indígena e português desde o início da escolaridade.

Além disso, a Seed-PR busca integrar conteúdos que valorizam a cultura indígena em todas as escolas da rede, conforme estipulado pela Lei 11.645, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura indígenas em todos os níveis da educação básica.

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