Com as eleições presidenciais se aproximando, a equipe técnica responsável pela formulação do Plano Safra prevê que o orçamento do programa não será inferior ao atual no ciclo 2027/28. Fontes internas indicam que, embora não haja espaço para aumentos significativos como os ocorridos entre 2023 e 2024, a meta é manter os valores em patamares recordes.
A área econômica considera uma redução no orçamento como um movimento problemático, especialmente em um cenário de juros altos e pressão sobre os produtores devido ao endividamento, enquanto os bancos se tornam mais rigorosos na concessão de crédito.
O Plano Safra 2025/26 teve um orçamento de R$ 516,2 bilhões, superando os R$ 508,6 bilhões do ciclo anterior, com aumento em custeio e comercialização, enquanto as linhas de investimento diminuíram devido ao custo do capital.
A antecipação é de que o orçamento para 2027/28 mantenha, no mínimo, os atuais níveis, com possíveis aumentos modestos. A definição final, no entanto, ainda está em aberto.
O processo formal de construção do novo plano terá início entre fevereiro e março, com entidades e frentes parlamentares apresentando propostas aos ministérios. A equipe econômica será responsável pela avaliação das demandas e ajuste do orçamento total.
Na última elaboração, o setor produtivo pediu R$ 599 bilhões, substentando a solicitação com argumentos como a necessidade de maior equalização de juros e ampliação das exigências sobre Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
Entretanto, o governo definiu um orçamento inferior ao solicitado, justificando a decisão com limites fiscais e a necessidade de equilibrar a política agrícola com as metas fiscais.
Dentro do governo, a principal preocupação vai além do valor nominal, focando na execução do plano. A taxa de juros final do crédito rural está diretamente ligada à disponibilidade de recursos para equalização e ao tamanho da carteira de crédito.
Com os juros altos e incertezas na política monetária, o custo de sustentação dos subsídios se torna mais sensível. Além disso, o cenário eleitoral impõe uma cautela, evitando uma expansão que agrave a situação fiscal.
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