Um relatório recente da Organização Não Governamental (ONG) Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) revelou que 129 jornalistas perderam a vida no exercício da profissão em 2022. O documento foi divulgado nesta quarta-feira (25) e é considerado o maior número já registrado pela entidade em mais de 30 anos de monitoramento.

As Causas das Mortes
O estudo, que tem sede em Nova York (EUA), revela que 86 das mortes documentadas foram atribuídas às Forças de Defesa de Israel. A maioria das fatalidades ocorreu durante conflitos, com 104 jornalistas assassinados em zonas de guerra. Israel se destaca como o país com o maior número de mortes, seguido por Sudão (9), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3).
A análise também destaca que, embora o número de jornalistas mortos na Ucrânia e no Sudão tenha aumentado, a maioria das vítimas eram palestinas. Em um comunicado, o CPJ afirmou que “os conflitos armados atingiram níveis históricos em todo o mundo”, assim como os assassinatos de jornalistas, que alcançaram “um recorde sem precedentes”.
Impunidade e Acesso à Informação
“O crescente número de mortes de jornalistas em todo o mundo é alimentado por uma cultura persistente de impunidade para ataques à imprensa: muito poucas investigações transparentes foram conduzidas.”
A organização critica a falta de ação dos líderes governamentais na proteção dos profissionais de imprensa, apontando que esse cenário contribui para mais assassinatos, incluindo em países onde não há conflitos armados, como Índia, México e Filipinas.
Segundo Jodie Ginsberg, presidente do CPJ, esses episódios ocorrem em um momento em que o acesso à informação é “mais importante do que nunca”. Ela ressalta que “os ataques à imprensa são um dos principais indicadores de ataques a outras liberdades” e enfatiza a necessidade de ações mais eficazes para prevenir esses crimes e punir os responsáveis.
Casos Notáveis de Assassinos
Entre os jornalistas assassinados, destaca-se Hossam Shabat, um correspondente da Al Jazeera, morto em um ataque israelense em março de 2025. Shabat, que tinha apenas 23 anos, foi atingido enquanto estava em seu carro perto do hospital Beit Lahia, no Norte de Gaza. Israel acusou-o de ser um atirador do Hamas, mas não apresentou evidências substanciais.
Outro caso citado foi o do repórter Anas al-Sharif, da Al Jazeera, que alertou sobre ameaças à sua vida devido a difamações infundadas. Ele foi assassinado em agosto de 2025 durante um ataque a jornalistas, que resultou na morte de três repórteres da Al Jazeera e dois freelancers.
Fatores Contribuintes
Além de conflitos armados, o CPJ também menciona a fragilidade do Estado de Direito, a presença de facções criminosas e corrupção entre líderes políticos como fatores que favorecem a impunidade nas mortes de jornalistas. A situação é alarmante em países como Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita, onde o assassinato de jornalistas se tornou uma ocorrência comum.
Uso de Drones
A utilização de drones para atacar jornalistas também tem crescido significativamente. De acordo com o CPJ, as fatalidades decorrentes de ataques com drones saltaram de duas em 2023 para 39 em 2025. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, os drones têm sido empregados em ofensivas e vigilância, e quatro jornalistas mortos no país em 2025 foram vítimas de tais ataques.
*Com informações da RTP
