O programa Praia Acessível, iniciativa do Governo do Estado do Paraná, visa facilitar o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida a banhos de mar e de rio. Neste verão de 2025/2026, o programa alcançou um marco histórico, registrando 1.786 atendimentos ao longo de pouco mais de 40 dias de operação.
Estrutura e Funcionamento
Desde sua implementação em 2016, o Praia Acessível tem promovido momentos de alegria e inclusão. As cadeiras anfíbias utilizadas são equipadas com rodas especiais para areia e água, proporcionando segurança e conforto. Além disso, a equipe de profissionais de Educação Física e outras assistências acompanha os participantes, garantindo autonomia e a convivência familiar durante as atividades.
A coordenação do programa é realizada pela Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), em parceria com a Sanepar e a Secretaria do Esporte. O secretário Rogério Carboni enfatiza que o projeto representa uma oportunidade de inclusão e um verão mais igualitário para todos. “Recebemos relatos de pessoas que não conseguiam entrar no mar há anos e agora compartilham suas experiências com felicidade”, destacou.
Atendimento e Locais
Nesta edição, o programa ampliou sua estrutura, disponibilizando 11 cadeiras anfíbias em diversos pontos, tanto no Litoral quanto nas praias interiores do estado. No Litoral, os atendimentos ocorreram nas cidades de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná. Já nas regiões de água doce, a ação se estendeu a Marilena (Porto Maringá) e São Pedro do Paraná (Porto São José), na Costa Noroeste, além de Marechal Cândido Rondon, na Costa Oeste.
Relatos de Experiência
Ana Kobayashi, de 69 anos e cadeirante há três anos após uma amputação, é uma das pessoas que se beneficiaram do programa. Moradora de Pontal do Paraná, Ana expressou sua alegria ao retomar o contato com o mar, uma de suas grandes paixões. Para ela, “estar no mar representa bem-estar e liberdade”, afirmou.
Emanuelle Araújo, 32 anos, também compartilha sua experiência positiva. Professora e moradora de Matinhos, ela tem paralisia cerebral e relata que o contato com a água salgada é terapêutico, ajudando a aliviar espasmos musculares e proporcionando relaxamento.
Roberta Bigliardi, de 58 anos, e a professora Josete do Carmo Bodi, de 65, destacaram a importância do programa em suas vidas. Roberta, que se recuperou de um AVC, e Josete, que viu seu filho entrar no mar pela primeira vez na vida adulta, ressaltaram os aspectos de inclusão e qualidade de vida proporcionados pelo Praia Acessível.
Reconhecimento e Importância
Os representantes das instituições parceiras também ressaltam a relevância do programa. Wilson Bley, diretor-presidente da Sanepar, destacou a satisfação de participar da iniciativa, enquanto Tiago Campos, da Secretaria do Esporte, reforçou o compromisso do Governo do Estado com a inclusão e a acessibilidade.
O professor Luiz Fernando de Figueiredo, da Universidade Federal de Santa Catarina, avaliou que o Praia Acessível é crucial para combater a exclusão de pessoas com deficiência. Em sua visão, o programa materializa o direito à cidadania e à dignidade, proporcionando benefícios físicos e emocionais.
Esse modelo, se replicado com foco na acessibilidade e continuidade, tem a capacidade de influenciar positivamente outras políticas públicas em nível nacional.
