Estudantes da Unicentro Monitoram Mamíferos em Áreas de Proteção Ambiental no Paraná
Estudantes de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) realizam um levantamento sobre mamíferos silvestres em dois parques estaduais do Paraná, buscando conhecer e preservar a fauna local. O projeto, em andamento desde setembro de 2025, utiliza armadilhas fotográficas em áreas estratégicas para coletar dados sobre a biodiversidade regional.
Monitoramento em Duas Unidades de Conservação
A pesquisa é realizada em dois parques estaduais importantes na região Centro-Sul do Paraná: São Francisco da Esperança e Santa Clara, localizados no município de Candói. O projeto tem duração de um ano e é desenvolvido através de iniciação científica.
O monitoramento é feito por meio de oito câmeras automáticas, divididas igualmente entre os dois parques. As câmeras são posicionadas em trilhas naturais e áreas de passagem de animais, capturando imagens e vídeos continuamente, sem contato direto com a fauna, o que minimiza possíveis interferências.
Objetivos da Pesquisa
O professor Rodrigo Martins de Souza, coordenador do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) e orientador do projeto, afirma que o principal objetivo do levantamento é registrar e compreender a diversidade de mamíferos nos parques. Os dados coletados vão auxiliar o Instituto Água e Terra (IAT) na gestão das áreas, contribuindo para planos de manejo e ações de fiscalização.
“Esses dados são fundamentais para ampliar o conhecimento científico sobre a fauna regional”, ressalta o professor, mencionando a formação de um banco de dados que pode servir para futuras pesquisas e projetos de extensão relacionados à ecologia e conservação.
Características Distintas dos Parques
Embora ambos os parques estejam localizados no bioma da Mata Atlântica do Planalto de Guarapuava, têm características ambientais distintas. O Parque Estadual Santa Clara é uma Unidade de Proteção Integral, sem visitação pública, enquanto o Parque Estadual São Francisco da Esperança apresenta uma área maior e faz parte de um complexo de áreas protegidas.
O monitoramento em Santa Clara, considerado o primeiro levantamento sistemático de mamíferos do local, possibilita entender como a fauna responde a pressões humanas. Já o São Francisco da Esperança permite a análise de uma biodiversidade mais ampla, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
Diversidade de Espécies Registradas
Entre as espécies observadas estão o cachorro-do-mato, o quati e a sussuarana, um predador de topo que indica a saúde ambiental. A estudante Gabriela Pedrozo Festa destaca que, embora a presença da sussuarana já fosse conhecida por avistamentos, o registro em foto é um avanço significativo para a pesquisa.
Além disso, a pesquisa identificou veados, cutias e capivaras, enriquecendo o conhecimento sobre a fauna local. Contudo, registros de cachorros domésticos geram preocupação, uma vez que esses animais podem representar uma ameaça à fauna silvestre.
Formação Acadêmica e Contribuições do Projeto
A iniciativa não apenas gera dados valiosos, mas também contribui para a formação dos estudantes envolvidos. A acadêmica Amanda Batista Silveira ressalta a importância do projeto na prática de habilidades de pesquisa, além de ampliar sua compreensão sobre ecologia e conservação. Gabriela enfatiza que a experiência de registrar animais livres em seu habitat natural é transformadora e destaca a importância da preservação.
