O Estado Islâmico (ISIS) voltou a ser assunto relevante na Síria após uma nova onda de conflitos. Em meio à escalada de violência entre o Exército do atual governo sírio e as Forças Democráticas Sírias (SDF), ambos os lados se acusaram de libertar jihadistas da organização terrorista detidos em prisões nas áreas em disputa.
Escalada de Conflitos na Síria
- Nos primeiros dias de 2025, a Síria se tornou novamente palco de violência. O episódio se junta a outras turbulências ocorridas após a queda de Bashar al-Assad, em 2024, mesmo após promessas do novo governo de estabilização do país.
- Desta vez, os conflitos envolvem o Exército sírio e as Forças Democráticas Sírias (SDF), um grupo militar principalmente curdo que desempenhou um papel crucial no combate ao Estado Islâmico.
- Tensões foram registradas no norte do país, onde várias regiões estavam sob controle das SDF. Após confrontos, o Exército sírio tomou cidades anteriormente dominadas pelos curdos.
- Após semanas de enfrentamentos, o presidente interino, Ahmed al-Sharaa, anunciou um acordo de cessar-fogo com as SDF.
- O tratado, que inclui a integração de curdos em instituições sírias, é considerado vulnerável.
- As SDF declararam que continuarão defendendo os territórios sob seu controle.
Desde o início do ano, a Síria enfrenta combates não apenas territoriais, mas também sectários. A nova onda de violência ocorreu no Norte do país, dominado por forças curdas.
Um cessar-fogo foi assinado no último domingo (18). De acordo com o acordo revelado pelas autoridades de Damasco, o pacto prevê a integração de militares do SDF ao Exército sírio, além da transferência de áreas antes sob controle curdo para a administração central de Damasco, incluindo prisões que detêm militantes do ISIS.
A seguir à assinatura do acordo, forças governamentais e militantes curdos trocaram acusações sobre uma prisão em Al-Shaddadi, na província de al-Hasakah, uma área que deve ser integrada à administração de Damasco, liderada por Ahmed al-Sharaa — figura com histórico de vínculos com grupos como Al-Qaeda e o próprio ISIS.
A prisão abriga jihadistas do ISIS, que chegou a controlar mais de 50% do território sírio no início da década de 2010. O último bastião do grupo foi perdido em 2019, após esforços da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, com o suporte direto dos curdos.
Em um comunicado, as SDF afirmaram que a prisão foi alvo de ataques por forças governamentais na segunda-feira.
“Embora a prisão de Al-Shaddadi esteja situada a cerca de dois quilômetros da base da Coalizão Internacional, esta não interveio, mesmo após apelos repetidos”, afirmou a nota dos combatentes curdos. “Informamos que a prisão caiu fora do controle de nossas forças devido a esses desenvolvimentos”, acrescentou o documento.
Contudo, o governo interino da Síria rebatou as acusações, afirmando que os membros do ISIS foram libertados pelas SDF.
“O exército assumiu o controle da cidade de al-Shaddadi e de sua prisão ao sul de al-Hasakah, iniciando operações para garantir a segurança da área e prender os prisioneiros do ISIS que escaparam e foram libertados pelas SDF”,
Outro caso de prisioneiros do Estado Islâmico foi relatado na província de al-Raqqa, em um centro de detenção chamado al-Aqtan. As Forças Democráticas Sírias afirmaram que forças do governo bombardearam a prisão com artilharia e tanques, visando invadir o local. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR) também confirmou a informação.
Ainda não se sabe quantos militantes do ISIS conseguiram escapar das prisões na Síria. Estimativas indicam que entre 9 a 10 mil combatentes do grupo e cerca de 40 mil familiares permanecem detidos no país.
Histórico do Estado Islâmico
O moderno Estado Islâmico foi criado em 2013, a partir da união de membros que se organizaram enquanto detidos no centro de detenção de Camp Bucca, administrado pelos EUA no Iraque. No início da década de 2010, o grupo chegou a dominar vastas áreas do Iraque e Síria, aproveitando a instabilidade política e social na região. Seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou um califado em 2014.
Entretanto, em 2019, o ISIS perdeu seu último reduto no Oriente Médio, com a recuperação da cidade de Baghuz pelas SDF, que contaram com o auxílio da coalizão internacional dos EUA.
A organização terrorista, mesmo após a perda de influência na região, continuou suas atividades na Síria e, em 2024, foi classificada como a principal atuante no país, segundo o relatório Global Terrorism Index 2025.
