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Importância do Mate para a Manutenção da Floresta, Segundo a FAO

O cultivo de erva-mate, Ilex paraguariensis, no centro-sul do Paraná destaca-se por sua prática sustentável, que respeita a preservação da floresta nativa e sustenta a agricultura familiar. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, esse método de produção sombreada é essencial para manter a cobertura florestal na Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais ameaçados do Brasil.

Integração entre Agricultura e Conservação

O sistema de produção sombreadas beneficia economias locais e preserva identidades culturais, com o Brasil se destacando como um dos principais produtores e exportadores de erva-mate, ao lado de Argentina e Paraguai. Este modelo agrícola alia produção, conservação da biodiversidade e organização social, consolidando uma prática sustentável de manejo.

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A sobrevivência da floresta com araucárias depende de paisagens vivas.

Na área da floresta com araucárias, que sofreu com o desmatamento, as práticas agroflorestais têm sido fundamentais para manter a saúde ecológica e a atividade econômica local. As comunidades têm sido responsáveis pelo gerenciamento da vegetação, promovendo a regeneração e a diversidade de espécies sem retirar a floresta nativa.

Práticas Sustentáveis

Os produtores de erva-mate priorizam a agroecologia, evitando o uso de agroquímicos e garantindo a proteção de fontes de água. O conhecimento sobre manejo florestal é passado entre gerações, promovendo a gestão sustentável. Em localidades como Pontilhão e Paço do Meio, mais de 130 famílias dependem da cultivo da erva-mate, que representa até 70% da renda familiar.

A colheita das folhas ocorre a cada três anos, permitindo a regeneração das plantas. Além disso, os agricultores cuidam de espécies nativas, como araucária, imbuia e canela-guaicá, contribuindo para a resiliência da floresta.

Benefícios da Biodiversidade

O sistema florestal cria um ambiente diversificado, onde a erva-mate é cultivada junto a árvores frutíferas, plantas medicinais e espécies nativas. Essa biodiversidade auxilia no controle natural de pragas, reduzindo a dependência de insumos químicos. Produtores observam que surtos de pragas comuns em monoculturas ocorrem menos frequentemente em sistemas florestais diversificados.

Patrimônio Cultural Indígena

A erva-mate é um elemento central na cultura indígena da região, conhecida como ka’a entre o povo Guarani. Seu uso transcende o consumo, integrando rituais e cerimônias, além de reforçar a gestão coletiva da floresta. As comunidades indígenas têm regras compartilhadas sobre colheita, que auxiliam na preservação do ecossistema e na coesão social.

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Brasil é um dos principais produtores e exportadores mundiais de erva-mate.

Reconhecimento Internacional

Em maio de 2025, o sistema tradicional de cultivo de erva-mate sombreada no Paraná foi reconhecido como Sistema Importante do Património Agrícola Mundial pela FAO, tornando-se o segundo do Brasil a receber essa distinção. Este reconhecimento ressalta a importância das comunidades locais na conservação da biodiversidade e na geração de renda, além de preservar o patrimônio cultural por meio de práticas agroflorestais tradicionais.

A sobrevivência da floresta com araucárias está diretamente ligada à vitalidade das paisagens que a cercam, já que as sementes dessa espécie não se conservam bem em bancos de sementes convencionais. Assim, a proteção da mata está intrinsicamente conectada às comunidades que a cultivam, garantindo a continuidade dos ecossistemas e do modo de vida local.

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