Ouro supera expectativas em 2023
O mercado de ouro alcançou resultados impressionantes em 2023, com os contratos futuros na Bolsa de Nova York apresentando um aumento de quase 71%. Este desempenho marca o melhor ano do metal precioso desde 1979, período em que o mundo vivia crises econômicas e geopolíticas significativas.
O contexto atual é marcado por incertezas globais, incluindo disputas comerciais, o conflito na Ucrânia e tensões entre Israel e Irã. Com essas turbulências, investidores se voltam para ativos considerados seguros, como o ouro, que oferece resistência em momentos de crise econômica e inflação elevada.
Ouro como Investimento Resiliente
Segundo Joe Cavatoni, estrategista sênior de mercado do Conselho Mundial do Ouro, “A incerteza continua a ser uma característica definidora da economia global”. Nesse cenário, o ouro se torna uma opção atraente para diversificação de investimentos e proteção contra a volatilidade do mercado.
Embora o ouro não ofereça rendimentos, a queda das taxas de juros pelo Federal Reserve tem tornado o metal precioso uma alternativa viável para investidores, especialmente quando as taxas dos títulos caem.
Com os contratos futuros de ouro sendo negociados em torno de US$ 2.640 por onça no início do ano, o metal ultrapassou a marca histórica de US$ 4.500 na segunda-feira. Especialistas do JPMorgan Chase acreditam que os preços poderão atingir US$ 5.000 por onça até 2026, refletindo um desempenho superior ao do índice S&P 500, que subiu 18% no mesmo período.
Influência dos Bancos Centrais e Geopolítica
As compras de ouro pelos bancos centrais, especialmente na China, têm impulsionado a valorização do metal. De acordo com Ulf Lindahl, CEO da Currency Research Associates, essa estratégia visa reduzir a dependência de ativos americanos, como os títulos do Tesouro dos EUA.
Essa mudança em direção ao ouro foi acentuada após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que levou a medidas ocidentais de congelamento de ativos russos. Como resultado, países como a Rússia e a China buscam maneiras de diminuir sua exposição a ativos vinculados à política dos Estados Unidos.
Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, observa que essa nova onda de compras por bancos centrais é particularmente influenciada por questões geopolíticas. Em média, os bancos centrais do mundo acumularam mais de 1.000 toneladas de ouro anualmente nos últimos três anos.
Crescimento nos Metais Preciosos
O desempenho do ouro também se reflete em outros metais preciosos, como a prata, que teve um aumento de 146%, a platina com quase 150% e o paládio com 100%. Hakan Kaya, gestor de carteiras da Neuberger Berman, defende que esses ativos funcionam como um “refúgio em tempos incertos”.
As expectativas são de que essa tendência continue a se aprofundar em 2026. Com bancos centrais ampliando suas reservas, a oferta de ouro no mercado pode diminuir, o que, combinado com a crescente demanda dos investidores, pode resultar em preços ainda mais elevados.
Além disso, preocupações com déficits governamentais e endividamento público têm levado os investidores a buscar segurança em metais preciosos. Para Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co., “Ouro é visto cada vez mais como um porto seguro à medida que essas questões se tornam mais evidentes”.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/economia/investimentos/ouro-caminha-para-melhor-ano-desde-1979-entenda-o-que-puxa-alta-historica/
