Estudo revela impacto dos ursos polares na rede alimentar do Ártico – A necrofagia, prática comum entre diversos animais, indica que predadores de topo, como os ursos polares, desempenham um papel crucial na transferência de energia para outras espécies através do consumo de carniça. Um estudo recente destaca a quantidade significativa de carcaças deixadas por esses animais, beneficiando uma variedade de necrófagos.
O Papel dos ursos polares na Ecosystema
No ambiente ártico, onde o urso polar (Ursus maritimus) é o principal predador de mamíferos marinhos, esses animais se tornam importantes provedores de alimento para várias espécies necrófagas, incluindo raposas-do-ártico, corvos e gaivotas.
Um estudo publicado na revista científica Oikos, coordenado por universidades canadenses e pelo San Diego Zoo Wildlife Alliance, quantificou este fenômeno. A pesquisa estima que os ursos polares deixam anualmente cerca de 7,6 milhões de quilos de carcaças de focas no gelo marinho, o que representa cerca de 39,3 milhões de megajoules de energia disponível para outras espécies.
Necrofagia: um elo ecológico
Os autores do estudo destacam a importância dos ursos polares como um elo crucial entre os ecossistemas marinhos e terrestres. Eles “capturam” energia do ambiente marinho e a transferem para o ambiente terrestre, através da carniça que deixam para trás.
Contrariamente ao que se imagina, a escolha das focas como fonte alimentar pelo urso polar não é um desperdício. A gordura das focas é altamente calórica, reduzindo as necessidades de água potável — um recurso escasso no ártico, onde a água doce está disponível apenas como neve ou gelo.
Cálculos da biomassa deixada por ursos polares
Para medir a biomassa de carniça, a pesquisa utilizou um modelo matemático que considerou taxas de predação e a composição corporal das focas. Os cientistas estimaram que, em média, cada urso polar mata cerca de 1.001 quilos de mamíferos marinhos por ano, com aproximadamente 50% desse total se tornando carniça disponível no gelo.
Uma população global estimada em 26 mil ursos polares no Ártico resultaria em cerca de 7,6 milhões de quilos de biomassa de carniça por ano, restando aproximadamente 4,6 milhões de quilos de músculo de foca disponíveis após a remoção dos ossos.
Um ambiente propício à conservação
As condições únicas do Ártico proporcionam um sistema ecológico eficiente, onde o frio extremo atua como um “frigorífico natural”, permitindo que as carcaças de focas sejam conservadas por longos períodos. Essa situação é favorável para as espécies necrófagas, que têm acesso a uma fonte de alimento duradoura.
Os ursos polares se alimentam intensamente na primavera, coincidindo com o surgimento dos filhotes de focas-aneladas, aumentando a disponibilidade de carcaças. Isso permite que outras espécies obtenham energia sem o esforço de caça, uma estratégia vital em um habitat rigoroso e escasso.
Porém, os pesquisadores alertam que a redução das populações de ursos polares devido ao derretimento do gelo marinho, causado pelas mudanças climáticas, representa uma ameaça a toda a cadeia alimentar que depende deles. A pesquisa sublinha a urgência de esforços de conservação para proteger esses animais e as espécies que deles dependem.
Fonte: CNN https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/sobras-de-comida-de-ursos-polares-alimentam-animais-comedores-de-carnica/
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