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Dia Internacional da Abolição da Escravatura Destaca a Escravidão Moderna

No Dia Internacional para a Abolição da Escravatura, celebrado nesta terça-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que, apesar de sua associação ao passado, a escravidão continua a ser uma questão presente e crescente. De acordo com estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 50 milhões de pessoas vivem atualmente em condições de escravidão moderna.

Cenário Atual e Apelo à Ação

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou em sua mensagem que mais de 15 milhões de africanos foram capturados e vendidos como escravos, muitos deles não sobrevivendo à travessia. Guterres ressaltou que a escravidão contemporânea afeta desproporcionalmente mulheres, crianças, migrantes e indivíduos em situações de extrema pobreza ou discriminação.

Ele classificou a escravidão atual como “um horror dos livros de história” e uma “crise contemporânea implacável”. O secretário-geral alertou para o fato de que milhões de pessoas permanecem presas a redes criminosas, exploradas devido a suas vulnerabilidades sociais.

Guterres fez um apelo para que governos, empresas, sociedade civil e sindicatos se unam no combate a práticas como trabalho forçado, tráfico de pessoas e casamentos forçados. Ele defendeu ainda que as vítimas devem ter acesso a justiça, compensação e reabilitação.

Quilombo Kalunga, em Goiás, Brasil. Pedidos de desculpas formais aos afrodescendentes ocorreram em 2024.

Vercilene Dias/Arquivo Pessoal

Quilombo Kalunga, em Goiás. Em 2024, houve um pedido formal de desculpas aos afrodescendentes pelos períodos de escravidão no país.

Escalada da Escravidão Moderna

Os dados da OIT indicam um aumento alarmante nas formas contemporâneas de escravidão. Em 2021, 27,6 milhões de pessoas estavam envolvidas em trabalho forçado, um incremento de 2,7 milhões em relação a 2016, principalmente devido à exploração por entidades privadas.

A escravidão moderna envolve práticas como servidão por dívida, tráfego de pessoas, casamentos forçados e exploração sexual, frequentemente marcadas por coerção e abuso de poder.

Segundo a OIT, o trabalho forçado gera cerca de 236 bilhões de dólares anualmente em lucros ilegais, que fortalecem redes criminosas e alimentam ciclos de exploração em setores como indústria, serviços e agricultura.

Novas Dinâmicas de Exploração

A ONU identifica também novas formas de exploração associadas a migrações, conflitos armados e desigualdade econômica. O trabalho infantil afeta uma em cada dez crianças no mundo, muitas das quais estão envolvidas em atividades perigosas.

O tráfico de pessoas, que abrange recrutamento e acolhimento para exploração, permanece alarmantemente disseminado, sendo considerado crime quando envolve crianças, independentemente do consentimento.

Memorial sobre a escravidão em Stone Town, Zanzibar, Tanzânia.

Memorial sobre a escravidão em Stone Town, Zanzibar.

A Urgência da Liberdade e Justiça

Com o centenário da Convenção da Escravatura se aproximando em 2026, a ONU enfatiza que a erradicação da escravidão moderna é uma responsabilidade coletiva e urgente.

António Guterres reafirma que construir um mundo baseado em liberdade, dignidade e justiça não é apenas um ideal, mas uma obrigação que deve guiar as ações globais para proteger as milhões de pessoas que ainda vivem sem seus direitos e sua humanidade.

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