Na próxima segunda-feira, 25 de novembro, Brasília será palco de uma nova marcha de mulheres negras de todo o Brasil. O evento, que simboliza a luta por reparação e bem-viver, reúne militantes, ativistas, professoras, artistas, escritoras, mulheres de terreiro, anciãs, jovens, políticas, mães, irmãs e filhas. O ato retoma a iniciativa de 2015, sob a afirmação de que “quando uma mulher negra se move, toda uma nação se move”, conforme mencionado por Angela Davis, referência entre as participantes.
Força e Persistência
Conceição Evaristo, escritora e importante voz da luta, destaca que a persistência é um aspecto central desse movimento. “O que marca é que a gente não desiste”, afirma, enfatizando que não se trata apenas de sua individualidade, mas de uma coletividade que se recusa a abrir mão dos direitos conquistados. “A juventude, que apesar da mortandade, está afirmando e construindo dignidade”, acrescenta.
Marcha e Significado
Aos 79 anos, Conceição relembra suas experiências na primeira marcha, quando percorreu longas distâncias. Para ela, marchar vai além de um ato físico; é uma afirmação de pertencimento ao solo. No ato, “cada passo, cada pé, cada pisada reivindica o direito à vida”, assegura. Marchar na capital federal é, portanto, um ato de resgate e apropriação de um espaço que simboliza luta e resistência.
Um Legado Cultural
Conceição Evaristo reflete sobre a trajetória da militância, destacando que começou com o foco em formar novas gerações para a luta. “Era angustiante ir para reuniões e ver as mesmas pessoas”, lembra. Contudo, ela observado que essa militância retratou-se como uma semeadura frutífera ao longo dos anos, especialmente no âmbito cultural. “Hoje, conseguimos ver mulheres que poderiam ser nossas filhas ou netas, negras, que continuam a luta”, explica.
“Quem pensa que a gente está só dançando ou cantando não percebe o que dizem nossas músicas, nossos corpos”, conclui Conceição, reafirmando a força política da cultura na luta por direitos.
Na próxima marcha de 25 de novembro, Conceição Evaristo e milhares de mulheres se unirão, não apenas em uma caminhada, mas como um grito coletivo por reparação e pelo direito a viver dignamente.
