A Câmara Municipal de Curitiba aprovou, nesta segunda-feira (24), em primeiro turno, o projeto que concede a Cidadania Honorária de Curitiba a Bertrand de Orleans-Bragança, descendente direto da antiga Família Imperial Brasileira e figura ativa na defesa da Monarquia como sistema de governo.
A proposta, de autoria do vereador Eder Borges (PL), recebeu 15 votos favoráveis e 5 contrários, e retorna ao plenário nesta terça-feira (25) para votação em segundo turno. Por ser um projeto de decreto legislativo, não depende de sanção do prefeito — caberá ao presidente da Casa promulgar o título se aprovado novamente.
Quem é Bertrand de Orleans-Bragança
Defensor da causa monárquica no Brasil, Bertrand nasceu em 1941, na França, durante o exílio da Família Imperial após a Proclamação da República. Borges destacou que, ainda criança, ele quase perdeu a vida em um bombardeio nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
Segundo o autor da proposta, Bertrand viveu parte da infância no Paraná, na cidade de Jacarezinho, e possui vínculos antigos com Curitiba. O pai, Dom Pedro Henrique, teria realizado diversas exposições de arte na capital. Borges também afirmou que Bertrand mantinha relação próxima com o ex-prefeito Ivo Arzua, chegando a atuar como uma espécie de conselheiro informal.
Além disso, afirmou que o homenageado visita Curitiba anualmente para palestrar sobre a causa monarquista e projetos culturais.
Defesa do autor inclui elogio público à Monarquia
Durante a sessão, Borges afirmou que a homenagem reconhece o papel histórico da Família Imperial e defendeu abertamente a Monarquia como sistema de governo. Ele relembrou o parentesco do homenageado com figuras como Dom Pedro II e Princesa Isabel, autora da Lei Áurea.
“O Brasil sofreu um grande golpe que foi a Proclamação da República”, disse o vereador, afirmando que a Família Imperial representaria os “verdadeiros valores da nação”.
Vereadores contestam a proposta e criticam debate sobre Monarquia
A homenagem gerou forte reação de parlamentares contrários, que questionaram tanto o mérito quanto o conteúdo ideológico da proposta.
Os principais pontos levantados:
- Angelo Vanhoni (PT) afirmou que não há justificativa plausível para voltar a debater Monarquia no país: “Em 2025, Curitiba homenagear um defensor da volta da Monarquia… tem alguma coisa errada acontecendo”.
- Laís Leão (PDT) classificou a proposta como “um delírio” e questionou a ideologia apresentada pelo autor: “Liberal-Monarquia?”.
- Vanda de Assis (PT) argumentou que “o Brasil não possui nenhum príncipe” e que Bertrand não apresenta ações concretas que justifiquem a maior honraria da Casa.
- Camilla Gonda (PSB) lembrou que já havia votado pelo arquivamento da proposta na Comissão de Constituição e Justiça.
- Marcos Vieira (PDT) declarou voto contrário por razões técnicas, apontando ausência de contribuições relevantes à cidade e afirmando que a defesa da Monarquia contraria o regime democrático brasileiro.
Os vereadores contrários também mencionaram a Lei Complementar 109/2018, que exige comprovação de benefícios diretos prestados a Curitiba para a concessão da honraria.
Próximos passos
A proposta será votada novamente nesta terça-feira (25). Se aprovada em segundo turno, a Cidadania Honorária será promulgada pelo presidente da Câmara.
