Projeto de Lei Sobre Arquivos de Epstein Aprovado em Votação Bipartidária
O Congresso dos Estados Unidos aprovou, em um raro momento de consenso, um projeto de lei que facilitará a divulgação de documentos relacionados ao caso de Jeffrey Epstein. O Senado aprovou a proposta por unanimidade, enquanto a Câmara dos Representantes seguiu com uma votação de 427 a 1.
Votação Acelerada e Expectativas de Divulgação
A votação no Senado, originalmente prevista para ocorrer após o feriado de Ação de Graças, foi adiantada. John Thune, líder da maioria no Senado, indicou que não haveria mudanças no texto, uma vez que o presidente Donald Trump se comprometeu a sancioná-lo rapidamente.
Após a assinatura de Trump, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos terá um prazo de 30 dias para divulgar os documentos, com exceção dos trechos que envolvem menores de idade ou processos em andamento. Contudo, a rapidez na publicação dos arquivos levanta questionamentos.
Preocupações com Possíveis Atrasos
Alguns parlamentares, como o deputado conservador Thomas Massie, expressaram apreensão quanto a uma possível investigação dos laços de Epstein com líderes democratas, o que poderia atrasar a liberação dos arquivos. Marjorie Taylor Greene, que se distanciou de Trump por apoiar a divulgação, também alertou sobre o risco de que a documentação fique retida devido a novas apurações.
Impacto Político do Caso Epstein
O caso Epstein voltou a ser destaque à medida que democratas e republicanos compartilham documentos que o ligam a várias personalidades, incluindo comentários de Epstein que sugerem que Trump tinha conhecimento de atividades ilícitas em sua residência. O ex-presidente nega essas alegações e disse ter encerrado sua relação com Epstein em 2004.
No entanto, em uma mudança de postura, Trump agora apoia a liberação dos documentos. Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, ele desferiu ataques contra jornalistas ao ser questionado sobre o escândalo, evidenciando a tensão em torno do tema.
Vítimas Pedem Justiça
As vítimas do esquema de tráfico sexual de Epstein enfatizam que a liberação dos arquivos é crucial para a busca por justiça. Em uma coletiva no Capitólio, Annie Farmer, uma das sobreviventes, denunciou a “traição institucional” que permitiu que os abusos perdurassem por tantas décadas. Sua irmã, Maria Farmer, foi a primeira a reportar Epstein às autoridades, em 1996, durante o governo de Bill Clinton.
As investigações federais relatam que Epstein abusou sexualmente de numerosas menores em suas propriedades em Nova York e na Flórida, a um total estimado de mais de mil vítimas. Após sua morte na prisão em 2019, Ghislaine Maxwell, sua cúmplice, foi condenada a 20 anos de prisão, enquanto seus advogados trabalham para reduzir a pena.
