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OMS Destaca Urgência na Implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém

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Mais de 540 mil mortes anuais resultam de calor extremo, um reflexo das mudanças climáticas que configuram uma emergência global de saúde pública. Em resposta a essa crise, foi anunciado, na quinta-feira (13), o Plano de Ação de Saúde de Belém, uma iniciativa destaque da Presidência brasileira na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP30.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas está acontecendo na cidade amazônica de Belém, no Brasil

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas está acontecendo na cidade amazônica de Belém, no Brasil

Urgência na Adaptação do Sistema de Saúde

Após o anúncio do plano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório destacando a necessidade de implementação imediata das novas diretrizes. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, enfatizou que a crise climática é uma questão de saúde atual. Segundo o documento, de 3,3 a 3,6 bilhões de pessoas vivem em áreas vulneráveis aos impactos climáticos.

A enviada especial da conferência para o tema de saúde, Ethel Maciel, reforçou a urgência da adaptação dos serviços de saúde, citando exemplos como as inundações no Rio Grande do Sul e a epidemia de dengue do ano anterior, que evidenciam a relação entre saúde e clima.

Estratégias para Combater os Impactos Climáticos

O novo plano é estruturado em três eixos principais. O primeiro diz respeito à integração de dados de clima e saúde, o que permitirá previsões mais precisas sobre a demanda por atendimentos durante ondas de calor. O segundo eixo buscará a criação de hospitais mais resilientes e a formação adequada de profissionais de saúde para reconhecer e tratar casos relacionados aos efeitos climáticos.

Por fim, o terceiro eixo foca na pesquisa e inovação, com o objetivo de desenvolver medicamentos e vacinas que sejam menos suscetíveis a variações de temperatura e, ao mesmo tempo, reduzir a pegada de carbono da cadeia produtiva da saúde.

Implementação do Plano

A implementação do plano é vital, especialmente na Amazônia. Ethel Maciel alertou sobre o risco de surtos epidêmicos decorrentes da devastação florestal, enfatizando a importância de transformar o plano em ações concretas, e não apenas em um documento formal.

Hospitais em Risco de Encerramento

O relatório da OMS também aponta que 1 em cada 12 hospitais está sob risco devido aos impactos climáticos. Desde 1990, os danos relacionados a eventos climáticos extremos aumentaram em 41%. Se não houver uma rápida descarbonização, o número de instalações vulneráveis poderá dobrar até 2050. Atualmente, o setor de saúde é responsável por cerca de 5% das emissões globais.

Um cartaz na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima destaca a urgência da crise climática

Um cartaz na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima destaca a urgência da crise climática

Compromissos dos Governos

A OMS incentiva que os governos integrem os objetivos de saúde em seus planos de ação e se beneficiem das economias resultantes da descarbonização para financiar a adaptação dos serviços de saúde.

Importância da Participação Social

O relatório também enfatiza a necessidade de envolvimento das comunidades na formulação e supervisão das políticas de saúde, dado que as mudanças climáticas afetam sobretudo populações vulneráveis. O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, destacou a prioridade para ações concretas por meio do Plano de Ação de Saúde de Belém.

Jornalistas na COP30, em Belém, Brasil

Jornalistas na COP30, em Belém, Brasil

Leia a entrevista com a enviada especial da COP30 para Saúde, Ethel Maciel.

ONU News: Como foi o processo de elaboração do Plano de Ação em Saúde e a sua importância na COP30?

Ethel Maciel: Hoje, 13 de novembro, foi um dia histórico. Pela primeira vez, a saúde ocupou a plenária central da UNFCCC com o lançamento do Plano de Ação de Saúde de Belém, que visa adaptar o setor às mudanças climáticas. Este plano foi elaborado ao longo de mais de um ano, com a colaboração da OMS, universidades e sociedade civil, buscando um consenso entre os países participantes.

ONU News: O que é preciso para preparar o sistema de saúde para lidar com ondas de calor mais frequentes?

Ethel Maciel: Precisamos de uma preparação tanto estrutural quanto de capacitação dos profissionais. É essencial que eles reconheçam que os aumentos de atendimento em dias quentes estão vinculados às altas temperaturas. Nossos atuais sistemas de informação não permitem essa correlação, o que precisamos mudar.

ONU News: Quais são os desafios específicos para a implementação na Amazônia?

Ethel Maciel: A Amazônia é crucial para a vigilância global e requer investimento. A integração dessas ações nos planos de governo é vital para garantir que não se torne apenas uma declaração sem impacto prático.

*Felipe de Carvalho é enviado especial da ONU News à COP 30, no Brasil.

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