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Dia do Inventor: Professor Pardal Transforma Microfilmadora em Scanner de Grandes Formats

Arquivo Público Municipal de Curitiba Inovações e Desafios na Digitalização de Documentos Históricos

O Arquivo Público Municipal de Curitiba, que preserva documentos importantes desde 1797, enfrentou recentemente um desafio significativo: a impossibilidade de fornecer imagens de grandes plantas de projetos solicitadas por cidadãos. O equipamento disponível não suportava as dimensões das plantas, que, na época, eram confeccionadas sem seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Uma nova alternativa se tornou necessária: a aquisição de um plotter moderno, que custava cerca de R$ 1,2 milhão. No entanto, a falta de orçamento impediu essa aquisição.

Transformação na Digitalização

A situação desafiou o gerente de Digitalização e Tecnologia do Arquivo Público, Fábio Adriano Pessine, e sua equipe, que aceitaram o desafio de transformar uma antiga microfilmadora Recordak em um scanner moderno. A tarefa não era simples, pois as peças de reposição não estavam mais disponíveis, obrigando a equipe a adaptar o sistema com novos materiais.

“Ela foi totalmente refeita: a parte elétrica, que era antiga, foi substituída. Estamos falando de uma máquina dos anos 1968 e 1969, que teve seus componentes renovados e o sistema adaptado para comportar uma câmera digital”, explicou Pessine.

Inovação com Criatividade

O sucesso dessa transformação rendeu a Fábio o apelido de “Professor Pardal”, uma referência ao inventor das histórias em quadrinhos da Disney. A adaptação da Recordak, comemorada em 4 de novembro, Dia do Inventor no Brasil, incluiu a substituição de um tablado de madeira por vidros jateados, permitindo a captura de documentos delicados.

Para a movimentação dos projetos, foi utilizado um macaco de automóvel que possibilita a planificação adequada dos documentos. “Isso nos permite trabalhar com documentos finos e livros grossos, minimizando ondulações nas imagens”, explicou Pessine.

Resultados da Inovação

Com a instalação de uma câmera Canon EOS 600, que permite controlar a altura e zoom via computador, o Arquivo já coletou mais de 60 mil imagens. Embora o processo seja mais demorado do que um plotter convencional, a atenção aos detalhes é crucial, especialmente para documentos sensíveis.

“Aqui, estamos lidando com um grande volume de imagens. A captura é meticulosa, já que cada documento exige um tratamento especial”, ressaltou Fábio.

Tecnologia em Ação

Além da Recordak, uma leitora de microfilmes da marca Dukane, comprada na década de 1970, foi revitalizada. A adaptação de uma lâmpada LED, em substituição à halógena, não apenas permitiu o funcionamento da máquina, mas também protegeu os microfilmes do calor excessivo.

Minilaboratório para Digitalização de Negativos

Para atender à demanda por digitalização de negativos, Fábio desenvolveu um modelo de minilaboratório em parceria com o servidor Sérgio Murilo Loos. O sistema utiliza caixas de metal com lâmpadas acopladas para a leitura de negativos e uma câmera para a captura das imagens. Já foram coletadas 20 mil imagens em baixa resolução, otimizando o processo.

Desafios e Planejamento Futuro

Fábio e Sérgio também criaram um suporte plástico que permite a captura de vários negativos de uma só vez, aumentando a eficiência do processo de digitalização. Apesar dos avanços, o caminho para digitalizar milhões de documentos ainda é longo, e a equipe do Arquivo Público Municipal continua comprometida em superar os desafios com inovação e criatividade.

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