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Tarô Guia Russos e Ucranianos na Guerra

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O uso de cartas de tarô como meio de busca por respostas durante o conflito entre Rússia e Ucrânia tem crescido significativamente. Em Moscou e Kiev, leitores de tarô relatam um aumento nas consultas relacionadas à segurança de familiares e ao futuro das cidades ameaçadas por bombardeios.

Popularidade do Tarô entre Ucranianos

De acordo com uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS), aproximadamente 43% dos ucranianos acreditam em práticas esotéricas, incluindo tarô, mediunidade e videntes. A adesão a essas práticas é maior entre as mulheres, com 49%, em comparação a 36% entre os homens. Para muitos, as cartas servem como um método de autorreflexão e um guia diante de um cenário de incertezas.

Raízes Históricas do Ocultismo

O tarô e outras práticas esotéricas possuem raízes históricas na região, especialmente durante a era da União Soviética (URSS), quando o ocultismo era marginalizado. Redes clandestinas de publicação, conhecidas como “samizdat”, facilitaram a circulação de livros e baralhos, mantendo vivas as tradições esotéricas. Atualmente, o interesse por essas práticas renasceu, impulsionado pelas redes sociais e a crise provocada pela guerra.

A Ascensão dos Leitores de Tarô

Desde 2022, a popularidade do tarô na Rússia também se intensificou. Leitores como Anton Suvorkin e Anzhelika Akulenko tornaram-se influentes nas redes sociais, oferecendo análises sobre as consequências da guerra e o futuro político do país. As vendas de cartas de tarô no país aumentaram sete vezes nos últimos quatro anos, alcançando cerca de 2 bilhões de rublos em 2024 (aproximadamente US$ 20 milhões), segundo levantamento da Forbes.

Apesar do crescimento, muitos leitores experientes mantêm um código ético. Alguns se recusam a fazer previsões sobre mobilização militar e decisões de combate, enfatizando que as escolhas finais devem ser feitas pelo indivíduo.

Interpretações Divergentes

As leituras de tarô também refletem as narrativas políticas de cada país. Tarólogos russos frequentemente interpretam as cartas de maneira a reforçar a ideia de que a Rússia, sob a liderança de Vladimir Putin, triunfará, considerando os Estados Unidos, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Europeia (UE) como inimigos.

Em contrapartida, na Ucrânia, o tarô serve a um propósito mais simbólico e pessoal. A taróloga Fania, em entrevista ao portal ucraniano Kyiv Independent, ressaltou: “As cartas nos ajudam a lidar com o medo e a incerteza. Elas não fornecem datas exatas, mas indicam caminhos e possibilidades, ajudando as pessoas a se prepararem emocionalmente.”

O aumento das consultas de tarô também reflete o impacto psicológico da guerra prolongada, como o desaparecimento de familiares e o risco constante de bombardeios, levando cidadãos a buscar formas de enfrentar a insegurança diária.

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