Governo Federal estuda construir viaduto ou trincheira para resolver conflito urbano causado pela passagem do trem
A cidade de Morretes, no Litoral do Paraná, deu um passo histórico rumo à solução de um dos maiores problemas urbanos do município: o impacto da passagem do trem sobre o tráfego e a segurança dos moradores.
Nesta quarta-feira (22), o prefeito Junior Brindarolli, acompanhado de vereadores e do deputado federal Aliel Machado, participou de uma reunião em Brasília com o Secretário Nacional de Transportes Ferroviários, Leonardo Ribeiro, e técnicos do Ministério dos Transportes.
O encontro tratou do conflito urbano causado pela linha férrea que corta a cidade, isolando bairros inteiros por longos períodos, causando congestionamentos e riscos à segurança da população.
Alternativas em estudo
Durante a reunião, o Governo Federal apresentou duas possíveis soluções para o problema:
- Construção de uma trincheira, permitindo a passagem de veículos sob a ferrovia;
- Construção de um viaduto, possibilitando o tráfego sobre a linha férrea.
Segundo os técnicos, Morretes pode se tornar modelo nacional de integração entre transporte ferroviário, turismo e segurança urbana, caso o projeto seja viabilizado.
Atualmente, há três cruzamentos críticos na cidade — dois no bairro Rocio e um na Vila Ferroviária — onde o trem interrompe o trânsito por mais de uma hora, isolando bairros como Pantanal, Marumbi e América de Cima.
Mobilização política
O deputado federal Aliel Machado tem liderado a pauta há mais de um ano e meio. Ele defende que o trem é essencial para o escoamento da produção agrícola ao Porto de Paranaguá e para o turismo regional, mas ressalta que a falta de alternativas de tráfego coloca em risco o dia a dia da população.
“Temos um patrimônio ferroviário importante, mas ele não pode continuar sendo um obstáculo para quem vive em Morretes. Há um ano e meio cobramos essa solução do Governo Federal, e hoje tivemos uma resposta concreta”, afirmou o parlamentar.
O projeto, estimado em R$ 25 milhões, poderá ser financiado com recursos federais, indenizações contratuais da empresa Rumo — cujo contrato se encerra em 2027 — ou parcerias público-privadas.
Turismo e meio ambiente
O prefeito Junior Brindarolli destacou que a cidade não pretende alterar o traçado da ferrovia, já que o trem turístico é uma das principais fontes de renda do município, atraindo cerca de 250 mil visitantes por ano.
“Recebemos turistas de várias partes do Brasil e do mundo, e isso gera emprego e renda. Uma mudança no trajeto afetaria a Mata Atlântica e o turismo, então a melhor solução é o viaduto ou a trincheira”, explicou o prefeito.
Compromisso do Governo Federal
O secretário nacional Leonardo Ribeiro afirmou que o Governo Federal está comprometido com a segurança e o desenvolvimento urbano de Morretes.
“A ferrovia que corta a cidade é estratégica para o transporte de cargas e para o turismo. Nosso objetivo é garantir a convivência entre esses usos, com segurança e qualidade de vida”, disse Ribeiro.
O secretário também explicou que o ministério estuda aplicar investimentos cruzados, modelo que permite utilizar recursos de repactuações ferroviárias em diferentes regiões do país. Morretes pode ser a primeira cidade do Brasil a receber esse tipo de investimento.
Próximos passos
O Ministério dos Transportes realizará uma reunião técnica entre o DNIT, a ANTT e a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário para definir o formato da obra. Em seguida, o projeto será discutido com a empresa Rumo Logística e encaminhado para validação do ministro Renan Filho.
A expectativa é que, com essa iniciativa, Morretes se torne referência nacional em soluções integradas que unem segurança, turismo e mobilidade ferroviária.
