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CPMI do INSS rejeita convocação de Frei Chico, irmão do presidente Lula; Moro chama decisão de “lamentável e vergonhosa”

Senador Sergio Moro criticou a decisão, enquanto base governista defendeu que a comissão siga o plano de trabalho já aprovado

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou nesta quinta-feira (16) o pedido de convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi).

A proposta de convocação havia sido apresentada por parlamentares da oposição. Com maioria de votos da base governista, o requerimento foi negado, e Frei Chico não será ouvido pela comissão neste momento.


Críticas de Sergio Moro

O senador Sergio Moro (União Brasil–PR), que faz parte da CPMI, manifestou discordância sobre a decisão. Segundo ele, a convocação seria importante para esclarecer o papel de Frei Chico no sindicato, que é investigado por supostas irregularidades.

“A base do governo Lula, especialmente o PT, está trabalhando para que as investigações não avancem. Barraram a convocação do irmão do presidente Lula, o Frei Chico, que é vice-presidente do Sindnapi, um dos sindicatos envolvidos nas apurações sobre descontos indevidos de aposentados e pensionistas”, afirmou o parlamentar.

Moro também mencionou decisão recente do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de R$ 390 milhões do sindicato.

“Frei Chico é dirigente de um dos sindicatos investigados. Quando se está em uma CPMI, é necessário investigar, e não impedir apurações”, acrescentou.


Posição do governo e da base aliada

Parlamentares da base governista argumentaram que a comissão deve seguir o plano de trabalho aprovado, que prevê a convocação de dirigentes diretamente citados nos relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, e não de pessoas vinculadas a cargos secundários.

Deputados e senadores aliados ao governo destacaram que a convocação de novos nomes pode ser analisada posteriormente, conforme o andamento das investigações e o surgimento de novas informações.


Discussão sobre outras quebras de sigilo

Durante a reunião, também foi debatida a proposta de quebra de sigilo bancário e fiscal da publicitária Danielle Miranda Fonteles, citada em transferências financeiras ligadas à investigação. O pedido foi rejeitado pela maioria dos membros da comissão.

Segundo documentos apresentados por parlamentares da oposição, a publicitária teria recebido transferências de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por envolvimento em irregularidades em descontos de benefícios previdenciários.


Sobre a CPMI do INSS

Instalada em 2024, a CPMI do INSS investiga fraudes em empréstimos consignados e cobranças indevidas feitas a aposentados e pensionistas em todo o país. O colegiado é composto por senadores e deputados federais e tem como objetivo apurar responsabilidades de empresas, sindicatos e entidades associativas.

As reuniões da comissão são transmitidas ao vivo pelo canal da TV Senado e da Câmara dos Deputados, e as decisões são tomadas por maioria simples entre os parlamentares presentes.

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