Medida será implantada em 62 estações-tubo e busca conter perdas estimadas em R$ 7,5 milhões em 2025. Primeira unidade com o novo sistema é a Estação China, no Bairro Alto.
A Urbanização de Curitiba (Urbs) iniciou a instalação de barreiras contra fura-catracas em 62 estações-tubo da cidade. Ao todo, serão 124 dispositivos de aço — dois por estação — destinados a impedir invasões de pessoas que tentam acessar os ônibus sem pagar passagem.
Segundo a Urbs, as invasões causaram prejuízos de R$ 7,5 milhões ao sistema de transporte coletivo apenas em 2025, considerando o aumento dos custos operacionais e as perdas de receita.
“As invasões prejudicam o transporte público, que deixa de receber a receita pelo serviço prestado e precisa ampliar gastos com fiscalização. Isso encarece o sistema e penaliza quem paga corretamente”, destacou Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs.
Primeiras instalações
A Estação China, no Bairro Alto, foi a primeira a receber o novo equipamento. A próxima será a Estação Passeio Público, no Centro Cívico, com instalação prevista para terça-feira (14/10) — dependendo das condições do tempo.
Durante os trabalhos, as estações continuarão operando normalmente. As barreiras são posicionadas nas laterais das plataformas, dificultando o acesso irregular. O prazo de instalação para todas as 62 estações-tubo é de 12 meses, conforme o coordenador da Unidade de Manutenção de Transporte da Urbs, Rodrigo Baryczka de Mello.
Panorama das invasões
Uma pesquisa do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) identificou 32.181 invasões em apenas sete dias, entre 11 e 17 de agosto de 2025 — uma média de 4.597 por dia. O número é 14% menor que o registrado em março (36.729), mas ainda considerado alto.
As estações com mais casos foram:
- Marumby (Terminal Portão) – 1.022 invasões;
- UTFPR (sentido Pinheirinho) – 802;
- Osternack – 796;
- Kennedy – 673;
- Praça Rui Barbosa (sentido Centenário) – 615.
Em proporção ao número de passageiros, as estações Barigui, no bairro Mossunguê, lideram o ranking: 34% dos usuários não pagaram passagem no sentido bairro e 21% no sentido Centro.
“As empresas monitoram constantemente os pontos mais críticos e compartilham os dados com o poder público. Essa medida representa um avanço em segurança e justiça para os passageiros que pagam a tarifa”, afirmou Angelo Gulin, presidente do Setransp.
Novos modelos em teste
Além das barreiras fixas, a Urbs também testa um modelo móvel de bloqueio, desenvolvido a partir da ideia de um passageiro. O equipamento, instalado na Estação Morretes (Portão), é acionado automaticamente quando a rampa do ônibus encosta na plataforma.
“Estamos avaliando o desempenho do sistema e, se os resultados forem positivos, ele poderá ser homologado e implantado em outras estações-tubo”, explicou Alceu Portella, gestor da área de manutenção da Urbs.
Com as novas medidas, a Urbs busca reforçar a segurança, reduzir fraudes e garantir a sustentabilidade financeira do sistema de transporte coletivo de Curitiba.
