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Jovens pedem apoio do Parlamento para justiça climática na COP30

07/10/2025 – 19:56

Juventude pede apoio do Parlamento em audiência sobre mudanças climáticas

Na última terça-feira (7), diversas entidades representativas de jovens solicitaram o apoio da Câmara dos Deputados para suas reivindicações a serem apresentadas na Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, que ocorrerá em Belém. O tema foi debatido em uma audiência conjunta das Comissões de Meio Ambiente e de Amazônia e Povos Originários. Os participantes destacaram a necessidade de ações concretas após o evento.

Justiça climática em foco

A justiça climática, que visa prevenir e reparar os danos causados pelo aquecimento global, foi um dos temas centrais das solicitações. Tayanne Galeno, coordenadora de relações governamentais do Instituto Alana, destacou a urgência de priorizar os direitos dos 2,2 bilhões de crianças e adolescentes no mundo, incluindo 54 milhões no Brasil, que enfrentam riscos climáticos extremos. “As crianças e os adolescentes fazem parte do presente e não devem ser considerados como o futuro”, afirmou Tayanne.

Ampliação das reivindicações

Luan Cazati, diretor da Coalizão Nacional de Juventudes pelo Clima e Meio Ambiente (Conjuclima), enfatizou a importância de abordar não apenas as juventudes, mas também as demandas de povos tradicionais e comunidades vulneráveis. Ele expressou a necessidade de uma construção coletiva para alcançar a justiça climática.

Metas climáticas

As pautas dos jovens também incluíram a necessidade de financiamento direto para que comunidades tradicionais possam desenvolver ações climáticas em seus territórios. Marcele Oliveira, campeã climática da juventude na COP30, ressaltou a importância de implementar a nova meta voluntária do governo brasileiro, que visa reduzir entre 850 milhões e 1 bilhão de toneladas de carbono na atmosfera até 2030.

O papel do Parlamento

Gabriel Adami, secretário-executivo de juventudes da Frente Parlamentar Ambientalista, cobrou o apoio do Parlamento. Ele trouxe à tona dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que informam que cerca de 250 milhões de jovens em todo o mundo, e 1,7 milhão no Brasil, tiveram seus estudos interrompidos devido a eventos climáticos extremos no ano anterior. “Sem o Parlamento, não conseguimos atingir as metas de redução de emissões definidas pelo governo”, alertou.

Conferência Nacional Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente

A audiência foi reforçada por participantes da 6ª Conferência Nacional Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente, que acontece até 10 de outubro em Luziânia (GO), abordando o tema “vamos transformar o Brasil com educação e justiça climática”. Representantes da Aliança Povos pelo Clima, formada por jovens da Amazônia, também estiveram presentes e pleitearam a aprovação do Projeto de Lei 2225/24, que defende políticas públicas voltadas ao direito de crianças e adolescentes à natureza.

Financiamento direto e desafios

A deputada Dandara (PT-MG) garantiu que os parlamentares estão atentos aos mecanismos de financiamento climático voltados para comunidades tradicionais. “É um desafio fazer os recursos chegarem onde mais se precisa. É essencial que essa Casa se debruce sobre o tema”, comentou.

Movimento regional e experiências internacionais

O deputado Nilto Tatto (PT-SP) elogiou a mobilização juvenil e sua participação na COP30. O deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) anunciou a criação da Frente Parlamentar de Juventudes Amazônidas durante a conferência. Por fim, a deputada federal no Equador, Jahiren Donoso, congratulou o protagonismo dos jovens em ações contra a exploração de petróleo no Parque Nacional Yasuní, uma vitória que foi conferida em consulta popular com o apoio de 60% dos eleitores.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Roberto Seabra

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