Cerca de 200 pessoas participaram, na noite desta quarta-feira (1º), da primeira audiência pública sobre a nova concessão do transporte coletivo de Curitiba, realizada no Salão de Atos do Imap, no Parque Barigui. O encontro marcou o início da fase de contribuições populares para o projeto que definirá o sistema de mobilidade da capital pelos próximos 15 anos.
O evento, transmitido ao vivo pelo canal da Prefeitura no YouTube, apresentou a modelagem da concessão elaborada pela Urbs, em parceria com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o consórcio de consultoria liderado pela Oficina Engenheiros.
“É fundamental que a população participe neste momento, opinando sobre como será o transporte coletivo nas próximas décadas. Estamos conduzindo o processo de forma democrática e transparente”, afirmou o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto.
O que muda no transporte
O novo contrato prevê investimentos de R$ 3,7 bilhões ao longo de 15 anos, incluindo a renovação e ampliação da frota, com destaque para a eletrificação gradual. Estão previstos:
- 245 ônibus elétricos em cinco anos;
- 149 veículos a diesel Euro 6 já no início do contrato;
- Construção de dois eletropostos públicos nos terminais Capão Raso e Capão da Imbuia;
- Reformulação de 30 itinerários e criação de cinco novas linhas;
- Requalificação de 16 estações-tubo.
Além disso, haverá integração temporal em todas as linhas, permitindo que os passageiros troquem de ônibus em um intervalo de tempo sem pagar nova tarifa. O contrato será dividido em cinco lotes: dois dedicados aos BRTs e três regionais (Norte, Sul e Oeste).
Tarifa e subsídio
Um dos pontos mais sensíveis para os passageiros é o preço da passagem. A nova concessão prevê que a tarifa, atualmente em R$ 6, não terá reajuste até o fim da transição, estimada em até dois anos. O subsídio público continuará sendo essencial para manter o valor congelado.
O projeto também se apoia no Marco Legal do Transporte Coletivo, em discussão no Congresso Nacional, que deve transferir ao governo federal o custeio das gratuidades para idosos e pessoas com deficiência. Hoje, esse valor é bancado pelos municípios.
O que diz a população
Entre os cidadãos que participaram da audiência, o servente Luan Alcides Ribeiro, de 20 anos, destacou a importância da ampliação da integração e a construção de mais terminais para reduzir a superlotação nos horários de pico. Já o estudante de arquitetura André Felipe Mafra, de 19 anos, apontou a necessidade de mais frequência e conforto nos veículos.
“Não adianta a gente cobrar depois sem participar agora. É o momento de pensar no transporte dos próximos 10 ou 15 anos”, resumiu Luan.
Próximos passos
Uma segunda audiência pública está marcada para 15 de outubro, no mesmo local. Além disso, a consulta pública online segue aberta até 17 de outubro. As contribuições recebidas serão analisadas e respondidas em até 30 dias após o encerramento.
O edital da nova concessão deve ser publicado em novembro e o leilão está previsto para janeiro de 2026, na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo). O início do novo contrato está programado para junho de 2026.
Segundo a presidente do Ippuc, Ana Zornig Jayme, Curitiba segue como referência em transporte coletivo, mas precisa avançar:
“Estamos falando de mobilidade sustentável, com foco em ônibus zero emissões e qualidade de serviço. É um salto de qualidade que vai impactar toda a cidade”.
