Vídeos viralizados no TikTok têm gerado polêmica ao acusar a Moldávia de estar sob uma suposta ditadura sob a liderança da presidente Maia Sandu, favorável à União Europeia (UE), e do partido liberal-conservador Ação e Solidariedade (PAS). As mensagens sugerem que o governo moldavo atua como um “regime fantoche”, supostamente manipulando a política nacional para atender a interesses estrangeiros, como os da UE e do milionário americano George Soros, além de promover uma agenda contra a agricultura do país e à favor da ideologia LGBTQ+.
O ex-presidente Igor Dodon, líder do Partido Socialista da Moldávia (PSRM) e alinhado com Vladimir Putin, é um dos principais disseminadores dessas teorias nas redes sociais. O logotipo do seu partido apresenta uma estrela branca e vermelha dentro da qual se encontra o símbolo da foice e do martelo, traçando um paralelo com a era soviética.
Ambiente Sociopolítico Tenso
Dodon se posiciona como defensor dos “valores tradicionais” e frequentemente encerra seus vídeos com a saudação cristã ortodoxa “Deus ajude”. A retórica antiocidental, unida à nostalgia soviética e à lealdade ao Kremlin, encontra ressonância entre uma parte da população, especialmente entre os aposentados que confrontam dificuldades econômicas.
Esse clima já é perceptível desde as eleições presidenciais de 2024, quando Sandu obteve uma vitória apertada, enquanto uma pequena maioria da população expressou apoio à adesão do país à UE em um referendo. Contudo, a situação política na Moldávia está à beira de uma mudança significativa.
Eleição Parlamentar Decisiva
Neste domingo (28/9), o país, que conta com aproximadamente 2,4 milhões de habitantes, irá às urnas para escolher um novo parlamento. O partido de Sandu conquistou a maioria em 2021, mas a atual eleição é a primeira desde que a Moldávia recebeu, em 2022, o status de candidata à adesão à UE. O resultado poderá definir a trajetória política do país, que oscila entre um alinhamento com o Ocidente ou um retrocesso à influência russa.
Indecisão dos Eleitores
Pesquisas eleitorais indicam que quase metade dos eleitores está indecisa, e embora o PAS continue sendo o partido mais forte, pode perder a maioria absoluta conquistada em 2021. Duas alianças com orientação pró-Rússia, o Bloco dos Patriotas e o Bloco Eleitoral Alternativo, do prefeito de Chisinau, Ion Ceban, também estão no páreo. O Novo Partido, liderado pelo empresário Renato Usatii, que acumulou riqueza na Rússia, tem suas chances de conquistar assentos parlamentares, tornando-se um potencial fator decisivo na alternância de poder.
Sandu considera essas eleições como as mais importantes desde a independência em 1991, advertindo que uma possível derrota da democracia poderia resultar em um retrocesso em relação à Europa, permitindo a desestabilização pela Rússia.
Ameaças e Influências Externas
O embaixador russo na Moldávia, Oleg Oserow, recentemente emitiu advertências, afirmando que a manutenção da integridade territorial da Moldávia está nas mãos do Kremlin. O exemplo da Ucrânia serviria como um alerta sobre as consequências da perda de neutralidade.
Embora a Moldávia não represente um interesse econômico significativo para o Kremlin, a relevância estratégica do país aumentou desde 2022, quando poderia se tornar um ponto de partida russa contra a Ucrânia. A influência russa está clara, especialmente em um cenário onde a popularidade de Sandu desafiou a duração do domínio russo.
Fraudes Eleitorais e Desinformação
Para interferir nas eleições, há denúncias de compra de votos, com mais de 300 mil eleitores se registrando para vender seus votos. O governo moldavo classifica esse movimento como um “ataque híbrido sem precedentes”. A operação é supostamente coordenada por Ilan Sor, um empresário moldavo-israelense que fugiu após ser condenado por corrupção. A polícia tem realizado operações frequentes para coibir a fraude eleitoral.
Além disso, a disseminação de informações falsas nas redes sociais, especialmente no TikTok, tem sido uma estratégia eficaz para influenciar a opinião pública. Tal narrativa promove a ideia de que o governo Sandu é sinônimo de corrupção e responsabilidade pela pobreza no país, mesmo com esforços reconhecidos no combate à corrupção por parte do governo.
Conclusão
À medida que a Moldávia se prepara para a eleição, as tensões políticas e sociais permanecem elevadas. As diretrizes ideológicas e a luta por influência externa moldarão não apenas o futuro imediato do país, mas também seu papel na geopolítica regional.
