Inovações Tecnológicas Transformam a Vida de Pessoas com Deficiência no Paraná
O Estado do Paraná tem implementado soluções tecnológicas que melhoram a vida de pessoas com deficiência. O programa Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPI), do Governo do Estado, se destaca com o desenvolvimento de próteses inteligentes e dispositivos de inclusão sensorial. Um exemplo inspirador é a prótese criada para José Bonini, um menino de 1 ano e 7 meses, que nasceu sem os quatro membros.
Soluções Inovadoras em Ação
Desde sua criação, há três anos, o NAPI já entregou 32 tecnologias que são utilizadas por prefeituras e hospitais em todo o Estado. Com um orçamento de R$ 4,9 milhões para o período de 2023 a 2026, o programa facilita a colaboração entre instituições de pesquisa, com 235 bolsas de estudo em andamento.
Em 2025, a Fundação Araucária investiu mais de R$ 48 milhões em grupos de pesquisa. “O NAPI de Tecnologia Assistiva é vital para oferecer alternativas a pessoas que precisam de atenção especial, seja por condições congênitas ou acidentes”, comenta Ramiro Wahraftig, presidente da Fundação Araucária.
O Caso de José Bonini
José, que nasceu com focomelia, uma malformação congênita rara, recebeu uma prótese para o braço que o ajuda a se alimentar sozinho, brincar e desenhar. “Financeiramente, não teríamos como arcar com uma prótese, e saber que o Estado acredita no potencial do nosso filho é incrível”, diz Débora Bonini, mãe de José.
A trajetória de José começou difícil, já que a família enfrentou a perda de uma gravidez anterior antes de receber a notícia de que o novo bebê não teria os quatro membros. “Foi muito difícil, ao invés de ver tudo lindo, tivemos que lidar com essa realidade”, relembra Débora.
Desafios e Conquistas
Acompanhar o crescimento de José tem sido uma jornada de altos e baixos. Através das redes sociais, Débora compartilha a rotina do filho e busca informações sobre terapias. “Decidimos mostrar que o José pode ir além, e que sua diferença o torna único”, afirma. A prótese, desenvolvida em parceria com a UTFPR, foi feita inicialmente em modelo artesanal, mas evoluiu para versões personalizadas em impressão 3D.
A adaptação de José à prótese continua, e a família está otimista. “Ele já consegue desenhar e brincar, e entendemos que ele terá a escolha de usar a prótese quando se sentir confortável”, explica Débora. “A cada dia, ele nos surpreende com suas conquistas, como segurar a própria mamadeira”, acrescenta.
Tecnologia na Reabilitação
Além das próteses de membros, o NAPI tem apoiado inovações na produção de próteses faciais no Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier, em Curitiba. Anteriormente, o processo era totalmente manual, exigindo múltiplas visitas ao hospital. Com o uso de tecnologia digital, como tomografias e impressão 3D, a jornada dos pacientes foi simplificada, aumentando a eficiência do tratamento.
“Com essa tecnologia, conseguimos atender mais pacientes e oferecer um tratamento de maior qualidade”, destaca a cirurgiã-dentista Roberta Zanicotti.
Inovações Educacionais e Inclusivas
O NAPI também desenvolve soluções educativas, como materiais didáticos em 3D para auxiliar pessoas com deficiência visual a aprender teoria musical. Além disso, pesquisadores criaram uma prótese de pé sob medida para um paciente diabético. Essas inovações ressaltam a integração entre engenharia e saúde.
O NAPI organiza ainda o Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva, que ocorrerá em Curitiba de 30 de setembro a 3 de outubro. O evento contará com oficinas e exposições artísticas de pessoas com deficiência, além de apresentar os resultados das pesquisas realizadas.
