Polícia Civil do Paraná Intensifica Combate ao Bullying e Cyberbullying
A Secretaria da Segurança Pública do Paraná tem implementado ações para combater o bullying e o cyberbullying, utilizando delegacias especializadas e promovendo a conscientização em escolas. Em Curitiba, a Delegacia do Adolescente se destaca nesse esforço.
Ações Preventivas em Escolas
De acordo com a delegada Eliete Aparecida Kovalhuk, o bullying representa uma grande parte dos atos infracionais registrados na Delegacia do Adolescente. “A adolescência é um período intenso de transformações físicas, psicológicas e sociais”, destaca. Eliete enfatiza a importância do trabalho preventivo para reduzir a reincidência e minimizar o trauma das vítimas.
O cyberbullying, que ocorre no ambiente virtual, se caracteriza por agressores que impossibilitam a vítima de escapar dos ataques, geralmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Segundo o psicólogo Leonel Rodrigues, os adolescentes atendidos apresentam sofrimentos psicológicos semelhantes, o que pode levar a instabilidade emocional e perda de interesse em interações sociais.
Nova Legislação e Responsabilização
Desde 2022, bullying e cyberbullying estão tipificados como crimes no Código Penal, conforme o artigo 146-A. A nova legislação estabelece responsabilização e medidas socioeducativas para adolescentes envolvidos. A Lei 14.811/2024 define bullying como intimidatório, envolvendo violência física ou psicológica através de humilhações e discriminações. Os infratores podem enfrentar multas para bullying e penas de dois a quatro anos de reclusão para casos de cyberbullying.
Programa PCPR na Comunidade
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) também promove o programa PCPR na Comunidade, que realiza palestras e orientações para estudantes, pais e professores. Criado em 2019, o programa visa identificar precocemente agressões sistemáticas, aproximando a população das ações da Polícia Civil.
As palestras nas escolas buscam romper o silêncio sobre crimes frequentemente subnotificados, como bullying e assédio digital. Desde 2022, 74 escolas foram visitadas, alcançando um público de mais de 15.700 pessoas este ano. A delegada Eliete enfatiza a importância do trabalho conjunto entre as famílias e a rede de proteção.
Reconhecimento e Acolhimento nas Palestras
O delegado-chefe do Núcleo de Combate a Crimes Cibernéticos, José Barreto, participa das palestras abordando as consequências do bullying e cyberbullying. “Mostramos aos alunos o que a Polícia Civil investiga e reforçamos que estamos à disposição para ajudar vítimas e famílias”, explica.
O Colégio Estadual Professor Cleto, em Curitiba, solicitou palestras para alunos do 8º e 9º ano. A participação dos estudantes foi considerada excelente, permitindo que tirassem dúvidas sobre direitos e deveres. Eliete destacou que essa discussão é frequente na escola e que o conhecimento adquirido nas palestras é fundamental para o trabalho contínuo da equipe pedagógica.
Como Solicitar Palestras
Escolas interessadas em receber as palestras devem entrar em contato com o setor de Comunicação Social da Polícia Civil do Paraná pelo e-mail [email protected].
Cuidados e Recomendações
Todos devem estar atentos aos sinais de bullying e cyberbullying em casa e na escola. Abaixo, algumas recomendações:
Orientações para Pais
- Verificar as redes sociais e apelidos dos filhos.
- Monitorar quem os filhos adicionam nas redes e jogos online.
- Acompanhar o que buscam na internet.
- Manter um diálogo aberto sobre os riscos na internet.
Recomendações para Adolescentes
- Não adicionar desconhecidos nas redes.
- Nunca compartilhar fotos íntimas.
- Manter perfis de redes sociais privados.
- Se identificar bullying, compartilhar com os pais e registrar evidências.
- Bloquear agressores.
O Papel das Escolas
- Observar o comportamento dos alunos.
- Notar mudanças no comportamento dos estudantes.
- Promover palestras e ações de conscientização.
- Conversar com os pais sobre a situação dos alunos.
Denúncias de bullying e cyberbullying podem ser feitas nas delegacias locais ou pelo telefone 197 (Polícia Civil), 190 (Polícia Militar), 181 (Disque Denúncia) ou 100 (Disque Direitos Humanos). Também é possível registrar um Boletim de Ocorrência online.
