Conflito Diplomático entre França e EUA sobre Antissemitismo
O governo francês convocou o embaixador dos Estados Unidos em Paris para prestar esclarecimentos sobre uma carta enviada ao presidente Emmanuel Macron, na qual criticou as ações do líder francês no combate ao antissemitismo. A situação revela tensões nas relações diplomáticas entre os dois países.
Críticas do Embaixador Americano
Na carta, Charles Kushner, pai de Jared Kushner, genro do ex-presidente dos EUA Donald Trump, expressou “profunda preocupação” com o aumento do antissemitismo na França. Ele acusou a administração francesa de “falhar” em proteger a comunidade judaica, ressaltando que “não passa um dia sem que judeus sejam agredidos nas ruas” e que sinagogas, escolas e estabelecimentos comerciais relacionados são frequentemente vandalizados.
Reação do Governo Francês
As declarações de Kushner foram consideradas “inaceitáveis” pelo governo francês. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores destacou que as afirmações infringem o direito internacional, especialmente o princípio de não interferência em assuntos internos, conforme estipulado na Convenção de Viena de 1961, que regula as relações diplomáticas.
Aumento da Tensão com Israel
A tensão entre França e Israel também se intensificou. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou Macron por “alimentar o fogo antissemita” e pediu ação assertiva antes do Ano Novo Judaico, marcado para 23 de setembro de 2025, data coincidente com o encerramento da Assembleia Geral da ONU. Netanyahu associou o crescimento do antissemitismo na Europa a declarações de Macron que criticam Israel e sinalizam um possível reconhecimento do Estado palestino.
Em sua correspondência, o primeiro-ministro israelense argumentou que, desde as manifestações públicas de Macron contra Israel, houve um aumento do antissemitismo, atribuindo também a campanhas de extremistas pró-Hamas a violência contra judeus na Europa, especialmente após o ataque do Hamas ao povo israelense em outubro de 2023.
