Queimada Controlada no Parque Estadual do Cerrado em Jaguariaíva
O Instituto Água e Terra (IAT) e o Corpo de Bombeiros do Paraná realizaram, nesta sexta-feira (22), uma queimada controlada em 27,2 hectares do Parque Estadual do Cerrado, localizado em Jaguariaíva, nos Campos Gerais. A iniciativa, que envolveu cerca de 70 pessoas, é parte de um projeto de restauração ambiental com a meta de recuperar a vegetação nativa da Unidade de Conservação.
Etapas do Projeto de Restauração
Esta atividade marca a primeira de seis fases planejadas, com o objetivo de restaurar completamente o bioma em um período de até cinco anos. O Cerrado representa cerca de 1% do território paranaense. A ação conta com a colaboração da prefeitura local, de voluntários e do Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais. O IAT está vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).
Técnica de Queima Prescrita
A técnica de queima controlada, já utilizada com sucesso em outros parques, como o de Vila Velha, em Ponta Grossa, será aplicada pela primeira vez no Cerrado. Também conhecida como queima prescrita, essa abordagem é recomendada para combater a proliferação de espécies exóticas invasoras, que prejudicam a vegetação nativa.
Importância da Queimada para o Bioma
O chefe do Parque Estadual do Cerrado, Juarez Baskoski, um dos responsáveis pela idealização do projeto, ressaltou a importância do uso do fogo para a manutenção da dinâmica natural do Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do Brasil. “Algumas espécies só germinam após a queimada. A vegetação excessiva, principalmente com plantas exóticas como o pinus, impede que as sementes nativas recebam a luminosidade necessária para quebrar a dormência e voltar a crescer”, explicou Baskoski.
Experiências anteriores demonstraram resultados positivos rápidos. “Em algumas situações, observamos o retorno do campo apenas duas semanas após a utilização dessa técnica. Em Vila Velha, já temos mais de 33 espécies por metro quadrado reaparecendo, além de animais silvestres, como o tamanduá-bandeira, que não era registrado na área há 30 anos”, afirmou o chefe do parque.
Planejamento do Manejo
A queimada controlada, parte do Plano de Manejo do Parque, tem sido aplicada desde 2014 em Vila Velha. Esta técnica é autorizada somente entre os meses de maio e agosto, quando os pássaros da região não estão em período reprodutivo e não há ninhos nos campos, garantindo assim a proteção da fauna local.
