Na França, ao menos quatro estações meteorológicas registraram novos recordes de temperatura nesta segunda-feira (11). A onda de calor, que começou no sudoeste do país, deve se espalhar por outras regiões a partir de terça-feira (12). Em Paris, a situação de um acampamento com centenas de migrantes que permanecem expostos ao sol gerou preocupação entre as organizações humanitárias, dado que muitos já foram diagnosticados com insolação.
Recordes de Temperatura no Sudoeste
Em Bordeaux, os termômetros atingiram 41,6°C, superando o recorde anterior de 41,2°C, registrado em 23 de julho de 2019. Outras cidades, como Bergerac (41,4°C), Cognac (40,6°C) e Saint-Girons (39,7°C), também enfrentaram calor extremo. De acordo com o serviço nacional de meteorologia, Météo-France, “esses valores não são definitivos” e as máximas podem mudar até o final do dia. Doze regiões do país já estão sob alerta máximo para altas temperaturas, antecipando a continuidade da onda de calor em direção ao noroeste e centro-leste da França.
51ª Onda de Calor Desde 1947
A França está enfrentando a sua 51ª onda de calor desde 1947 e a segunda deste verão no Hemisfério Norte, que, segundo o meteorologista Patrick Galois, deve durar “pelo menos até o próximo fim de semana”. O evento pode se estender até os dias 19 ou 20 de agosto, totalizando uma duração entre 12 e 14 dias. Em junho, o país já havia vivenciado uma onda de calor precoce, que durou 16 dias, se destacando entre as mais longas já registradas.
A partir do meio-dia de terça-feira, o leste da França e a região metropolitana de Paris estarão sob vigilância laranja, o penúltimo nível de alerta em termos de gravidade. Na capital, as temperaturas devem se aproximar dos 38°C.
Situação Crítica dos Migrantes
Atualmente, cerca de 250 migrantes acampados na prefeitura de Paris enfrentam uma situação alarmante devido ao calor intenso. Eles estão há seis dias na calçada, sem serem levados a abrigos de emergência. A associação Utopia 56 destacou os riscos à saúde que esses indivíduos correm, principalmente as crianças, que estão vulneráveis ao sol e à desidratação.
Ongs como Médicos Sem Fronteiras realizam consultas médicas na área e alertam que muitos estão exaustos e algumas crianças apresentam febre. Relatos indicam que, com o aumento das temperaturas, foram registrados casos de insolação, dificuldades respiratórias e vômitos. Além disso, há um clima de crescente tensão no local, evidenciado por um incidente em que dois homens urinaram deliberadamente sobre uma migrante e seus filhos. Um boletim de ocorrência foi registrado, e a Promotoria de Paris confirmou a investigação sobre o caso, mas não houve prisões até o momento.
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