Aumento Tarifário Impacta Economia Alemã
O recente aumento tarifário de 15% nas exportações para os Estados Unidos, em vigor desde 7 de agosto, deve ter um efeito significativo na economia alemã. Setores como automotivo, farmacêutico e de máquinas industriais estão entre os mais atingidos. O chanceler Friedrich Merz enfrenta desafios de popularidade, em meio a uma economia já fragilizada.
Queda no PIB e Recessão
Economistas projetam que o aumento tarifário resulte em uma redução no PIB alemão de aproximadamente 0,2%. Isso ocorre em um contexto de recessão, com o PIB registrando quedas de 0,3% em 2023 e 0,2% em 2024. Apesar de um início promissor no primeiro trimestre de 2023, com crescimento de 0,4%, o segundo trimestre viu uma contração de 0,1%, o que levanta preocupações sobre um possível terceiro ano de recessão.
Efeitos nas Empresas
Uma pesquisa da Câmara Alemã de Indústria e Comércio revela que três em cada quatro empresas na Alemanha já sentem os efeitos do conflito comercial com os EUA. Para as empresas que mantêm relações estreitas com o mercado americano, esse impacto chega a 90%. A incerteza provocada pela possibilidade de novas tarifas é a principal preocupação para 80% dessas empresas, enquanto 72% consideram a tarifa de 10% como um peso significativo em suas operações.
Setores mais Atingidos: Automotivo e Farmacêutico
A indústria automotiva será uma das mais afetadas, representando quase 5% do PIB da Alemanha e gerando cerca de 780 mil empregos diretos. A Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA) estima que as tarifas custarão bilhões de euros anualmente. A situação é ainda mais complicada com o desaquecimento da demanda no mercado chinês, que já resultou na perda de aproximadamente 19 mil empregos no ano passado.
No setor farmacêutico, as implicações são graves. A Associação Alemã de Empresas Farmacêuticas de Pesquisa (VFA) considera o acordo comercial um retrocesso significativo. A indústria, que há 30 anos se beneficiava de isenção de tarifas, poderá ver seu crescimento prejudicado, afetando cerca de 133 mil empregos diretos.
Além disso, um estudo da consultoria Deloitte aponta que as exportações de máquinas para os EUA também estão entre as mais afetadas, com perdas estimadas em 7,2 bilhões de euros, e prejuízos de 5,1 bilhões de euros para o setor farmacêutico.
Incerteza e Popularidade do Chanceler
A incerteza econômica tem contribuído para a insatisfação dos eleitores. Uma pesquisa recente indica que apenas 35% acreditam que o chanceler Merz está defendendo efetivamente os interesses alemães no cenário internacional. Além disso, 65% expressam preocupação com o impacto do aumento tarifário na economia nacional.
Ao completar 100 dias no governo, Friedrich Merz enfrenta uma queda acentuada em sua popularidade, com apenas 30% dos cidadãos satisfeitos com seu trabalho, uma redução de dez pontos percentuais em relação ao mês anterior. Atualmente, cerca de 70% estão insatisfeitos com sua gestão.
