A saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) é considerada um equívoco pelo comissário da Organização dos Estados Americanos (OEA) para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo, Fernando Lottenberg. Em declaração feita nesta sexta-feira (25/7), Lottenberg destacou que essa decisão ocorre em um momento de crescente tensão diplomática com Israel.
“Estamos falando de uma definição de antissemitismo que é um importante instrumento. Embora não tenha valor jurídico vinculante, é adotada por mais de 45 países e 2.000 instituições em todo o mundo para informar, identificar e combater o antissemitismo”, argumentou o comissário.
A decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem na esteira de uma série de atritos entre Brasil e Israel, intensificados pelo conflito atual na Faixa de Gaza, onde a guerra contra o Hamas tem gerado graves consequências humanitárias.
Tensão Diplomática Brasil-Israel
- Desde a posse de Lula, as relações entre Brasil e Israel têm se tornado cada vez mais tensas.
- Israel acusa o governo brasileiro de ser favorável ao Hamas, enquanto Lula critica as ações israelenses na Faixa de Gaza, que já resultaram em mais de 50 mil mortos.
- Em fevereiro de 2024, Lula fez uma comparação entre as ações israelenses e o Holocausto, o que provocou uma reação negativa e sua declaração como persona non grata em Israel.
- Como resposta, Lula retirou o embaixador do Brasil em Tel Aviv, limitando a influência diplomática do Brasil na região.
- Há preocupação entre as autoridades israelenses sobre a não nomeação do novo embaixador brasileiro, Gali Dagan, que ainda aguarda aprovação.
- A chancelaria israelense criticou o suporte brasileiro à ação judicial da África do Sul, que acusa Israel de genocídio, justificando que essa decisão coincide com a saída do Brasil da IHRA.
Lottenberg acrescentou que o Brasil pode criticar o governo israelense e manifestar discordâncias diplomáticas, mas ressaltou que esses pontos não afetam a relevância do trabalho da IHRA. “O Brasil abriga a segunda maior comunidade judaica da América Latina; sua participação na IHRA demonstraria um compromisso com a promoção da paz e a educação sobre o Holocausto”, enfatizou.
Além disso, Lottenberg destacou que um dos pilares da IHRA é a definição de antissemitismo. Embora a decisão brasileira de apoiar a ação da África do Sul ainda não tenha sido confirmada oficialmente, fontes diplomáticas indicam que o Ministério das Relações Exteriores já comunicou a embaixada de Israel em Brasília sobre o andamento do processo.
Ação Judicial Contra Israel
No dia 23 de julho, o governo brasileiro formalizou seu ingresso no processo judicial na Corte Internacional de Justiça (CIJ) contra Israel, que a África do Sul apresentou em 2013, acusando o país de genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza.
