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Trump e o Judiciário Mundial: Caça às Bruxas ou Interferência?

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se posicionado de modo a defender personalidades políticas internacionais, como Jair Bolsonaro e Benjamin Netanyahu, utilizando a expressão “caça às bruxas” para caracterizar os desafios jurídicos enfrentados por eles. Com isso, Trump busca influenciar decisões judiciais em outros países enquanto enfrenta seus próprios problemas legais nos EUA.


Trump e a Defesa de Bolsonaro e Netanyahu

Durante seu primeiro mandato, Trump popularizou a expressão “caça às bruxas” ao lidar com dois impeachment e múltiplas acusações criminais. Recentemente, ele intensificou essa retórica ao afirmar que Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, são alvos de um judiciário opressor. Em suas declarações, Trump se manifesta contra as ações judiciais que ambos enfrentam.

  • Trump usou sua rede social Truth Social para defender Jair Bolsonaro, alegando que ele é alvo de uma “caça às bruxas” orchestrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
  • Recentemente, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 50% ao Brasil, citando a situação de Bolsonaro como justificativa.
  • Ao defender Netanyahu, Trump chamou o julgamento por corrupção do premiê de “caça às bruxas” e pediu o cancelamento do processo.
  • Após essas declarações, um tribunal israelense adiou o julgamento de Netanyahu, que enfrenta acusações de fraude e suborno, as quais ele nega.

A Defesa de Trump sobre Bolsonaro

No dia 7 de julho, Trump expressou sua defesa a Jair Bolsonaro em termos enfáticos. Ele afirmou que o Brasil está tratando mal o ex-presidente e comparou as perseguições políticas que ambos enfrentam.

“Ele [Bolsonaro] não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”, declarou Trump, enfatizando a força de liderança de Bolsonaro e seu amor pelo país. Além disso, fez uma comparação com a sua própria história, ressaltando que a situação que vivenciou supera a de Bolsonaro de forma significativa.

Bolsonaro é, atualmente, réu no STF, acusado de envolvimento em uma suposta trama golpista após as eleições de 2022, e está inelegível, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Crimes Imputados a Bolsonaro

Os crimes atribuídos a Jair Bolsonaro no STF incluem:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Limitações da Influência de Trump

Especialistas em Direito Internacional indicam que a intervenção de Trump nas questões judiciais de outros países não tem fundamento. João Amorim, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), argumenta que não existe qualquer movimentação processual que sugira a alteração dos prazos ou andamentos no processo de Bolsonaro.

Fernando Furlan, doutor em Direito Internacional e professor da Uniceplac, classifica a postura de Trump em relação ao Brasil como “absurdo” e uma “esquizofrenia político-institucional”. Ele enfatiza que, constitucionalmente, nenhum presidente estrangeiro tem ingerência nas decisões do Judiciário de outro país.


Expectativas Futuras

Os professores estimam que as ações de Trump serão ignoradas em solo brasileiro e que as tarifas impostas podem ser revogadas em breve. Eles alertam que a movimentação atual parece mais uma tática política do que uma ameaça real ao funcionamento das instituições brasileiras. O histórico de intervenções de Trump sugere que a situação poderá eventualmente se estabilizar, com o foco permanecendo nas questões locais, sem interferência externa significativa.

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