Início da 4ª Conferência Internacional de Doadores para a Reconstrução da Ucrânia
A 4ª Conferência Internacional de Doadores para a Reconstrução da Ucrânia teve início nesta quinta-feira (10/7), em Roma. O evento, que ocorre ao longo de dois dias, reúne líderes mundiais, incluindo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o chanceler alemão Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, além de diversos empresários.
Expectativas Altas e Desafios Financeiros
Este é o quarto encontro de líderes internacionais dedicado à reconstrução da Ucrânia. As expectativas são elevadas, mas desafios financeiros são significativos. De acordo com o Banco Mundial, o plano de reconstrução do país demanda cerca de US$ 500 bilhões, montante que ainda não está assegurado.
A primeira-ministra Giorgia Meloni anunciou a intenção de mobilizar aproximadamente € 10 bilhões para apoiar Kiev.
Apelos por Maior Apoio Internacional
Durante a abertura do encontro, Zelensky solicitou que seus aliados aumentem os investimentos na defesa em resposta aos contínuos ataques russos. Ele acusou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de tentar destruir a essência da vida na Ucrânia, enquanto o número de vítimas civis alcançou um recorde mensal em junho, segundo a ONU. “Os ucranianos enfrentam ataques com centenas de drones todas as noites. Isso é puro terrorismo”, enfatizou o presidente.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, também fez um apelo ao presidente americano Donald Trump para que “permaneça ao lado dos europeus” no apoio à Ucrânia, reafirmando que não desistirão.
Mobilização Internacional e Investimentos Privados
O evento tem como um dos objetivos principais alertar sobre o risco de não cumprimento das promessas feitas nas conferências anteriores, realizadas em Lugano (2022), Londres (2023) e Berlim (2024). Nos bastidores, cresce a preocupação de que a falta de mobilização internacional e investimentos privados substanciais possa impedir o progresso do plano de revitalização e modernização da Ucrânia. A falta de sinais concretos de negociações de paz também tem deixado investidores cautelosos.
Fundo Internacional para a Reconstrução
Em 2023, o governo ucraniano nomeou a BlackRock e o JPMorgan para estruturar um fundo internacional destinado a atrair capital privado para a reconstrução pós-guerra da Ucrânia. O projeto previa um fundo de recuperação de mais de US$ 15 bilhões, com US$ 2 bilhões provenientes de investidores privados. Apesar da estrutura de governança robusta, que incluía proteção contra riscos, o projeto foi suspenso pela BlackRock em janeiro de 2025 devido à falta de interesse, especialmente dos Estados Unidos.
Participação de Delegações e Focos de Investimento
O evento conta com a presença de cerca de 3.500 participantes, incluindo mais de 100 delegações oficiais e 40 organizações internacionais. Os investimentos devem se concentrar em infraestrutura, habitação, energia, setores digitais e saúde.
Ausências Notáveis
Entre as ausências mais significativas estão o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que participam de uma reunião em Northwood, Reino Unido. Eles devem se comunicar por videoconferência durante o evento em Roma.
Encontro com o Papa e Desafios Diplomáticos
Na véspera da conferência, Zelensky se reuniu com o Papa Leão XIV, onde discutiram a possibilidade de o Vaticano sediar negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia. O papa expressou pesar pelas vítimas e reiterou seu apoio à busca por uma paz justa e duradoura, além de oferecer o Vaticano como um local neutro para negociações.
Apesar da confirmação dos Estados Unidos sobre a viabilidade das negociações no Vaticano, a Rússia se mostrou relutante, citando desconforto com a mediação do Santo Padre.
Zelensky também reiterou o convite ao Papa para visitar Kiev, destacando sua disposição em buscar um diálogo aberto com a Igreja. O pontífice, de sua parte, tem se manifestado contra a guerra, a qual classificou como “sem sentido”.
