A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do Brasil, registrou uma nova queda, passando de 5,2% para 5,18% em 2023. Esta é a sexta redução consecutiva na estimativa, conforme divulgado no Boletim Focus, na última segunda-feira (30), em Brasília. A pesquisa é realizada semanalmente pelo Banco Central (BC) e reflete as expectativas de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.
Projeções Futuras
As projeções para anos seguintes mantiveram-se estáveis: 4,5% para 2026, 4% para 2027 e 3,8% para 2028. A previsão para 2025, no entanto, ultrapassa o teto da meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), estabelecida em 3% com uma margem de 1,5 pontos percentuais para cima ou para baixo, abrangendo, portanto, de 1,5% a 4,5%.
Em maio, a inflação oficial registrou 0,26%, evidenciando uma desaceleração em relação a abril, que teve um índice de 0,43%. Até o momento, a inflação acumula 2,75% em 2023 e 5,32% nos últimos 12 meses.
Taxa Selic
Para controlar a inflação, o Banco Central emprega principalmente a taxa Selic, que atualmente está fixada em 15% ao ano. Apesar da recente redução na inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu aumentar os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião, marcando o sétimo aumento sucessivo em um ciclo de contração da política monetária.
Em comunicado, o Copom indicou que a taxa deve se manter nesse nível por um período prolongado, à medida que monitoram os impactos do ciclo de alta sobre a economia. Não foram descartados novos aumentos, caso a inflação volte a subir.
Esta decisão surpreendeu analistas do mercado financeiro que não esperavam um novo aumento. A expectativa é de que a Selic permaneça em 15% ao ano até o final de 2025, com projeções de redução para 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028.
Quando a Selic é elevada, o objetivo é conter a demanda aquecida, levando a um aumento nos custos do crédito e incentivando a poupança. Por outro lado, taxas de juros mais altas podem dificultar o crescimento econômico. Ao contrário, a diminuição da Selic tende a baratear o crédito, incentivando o consumo e a produção.
Crescimento do PIB e Câmbio
A projeção de crescimento da economia brasileira para 2023 passou de 2,21% para 2,23%, segundo o Boletim Focus. Para 2026, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi ligeiramente reduzida de 1,87% para 1,86%. Para 2027 e 2028, a expectativa é de uma expansão de 2% em ambos os anos.
De acordo com dados do IBGE, a economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025, impulsionada pela agropecuária. O PIB de 2024 teve uma alta de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento e a maior expansão desde 2021, quando o PIB subiu 4,8%.
A previsão para a cotação do dólar é de que alcance R$ 5,70 ao fim deste ano e R$ 5,75 ao término de 2026.
