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Crônica Curitibana: Continência ao Marechal

Estou trabalhando na Marechal Deodoro — uma das principais avenidas de Curitiba, palco de passeatas, carnavais e momentos históricos da nossa cidade.

Estar ali todos os dias é como viver no coração pulsante de Curitiba. Cada canto vibra com uma energia diferente.

Você ouve o dono da banca discutindo política com um cliente que só queria um maço de cigarro. Um artista surge do nada tocando Beatles. Uma manifestação começa do outro lado da rua, exigindo mudanças do governo. É como se um feed do Instagram ganhasse vida bem na sua frente — só que o algoritmo não foi feito pra você.

Entre todas as cenas, uma me marca todos os dias: às 8h em ponto, um senhor que trabalha como gari passa em frente ao prédio onde estou. Ele sorri. Canta hinos evangélicos enquanto varre a calçada. Sua voz atravessa o barulho da cidade. Para quem trabalha por ali, nem é preciso olhar o relógio: é ele quem avisa que o dia começou.

A partir dali, tudo se repete. E talvez seja isso que torne tudo tão único.

A continência ao Marechal é um gesto silencioso de respeito ao coração pulsante de uma cidade singular — e, ao mesmo tempo, plural.

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