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Lula estará no Paraná nesta quinta-feira (29) para oficializar assentamento do MST

Área de 10 mil hectares, ocupada por mais de duas décadas, será reconhecida como assentamento rural durante visita presidencial à comunidade Maila Sabrina, em Ortigueira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visita o Paraná nesta quinta-feira (29) para oficializar a criação de um assentamento rural para mais de 400 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O ato ocorrerá na comunidade Maila Sabrina, na divisa entre os municípios de Ortigueira e Faxinal, nos Campos Gerais, onde o grupo ocupa uma extensa área há 22 anos.

O terreno, com cerca de 10.500 hectares, foi inicialmente conhecido como Fazenda Brasileira. Segundo o MST, antes da ocupação, a área era destinada à criação de búfalos e enfrentava fortes indícios de degradação ambiental. Desde então, os ocupantes transformaram o espaço em um território de moradia e produção agrícola, com foco em hortaliças, grãos, frutas e alimentos orgânicos, além de pequenas criações de animais.

O governo federal agora reconhece oficialmente o espaço como um assentamento de Reforma Agrária, após anos de disputas e pressão do movimento. A decisão levanta debates sobre a condução da política fundiária no país, especialmente em estados como o Paraná, que registram histórico de conflitos agrários.

A ação terá presença confirmada do presidente Lula e de ministros ligados ao campo social. Para os integrantes da comunidade, o momento é tratado como uma vitória simbólica e material. Uma das representantes locais, Jocelda Oliveira, destacou o sentimento dos envolvidos:

“A palavra que define hoje é emoção. Graças à luta e à resistência da comunidade e do MST, nós vencemos e hoje conquistamos nossa grande vitória que é o assentamento.”

Apesar da comemoração por parte do movimento, o episódio também reacende questionamentos sobre o modelo de ocupação de terras públicas e privadas por movimentos organizados, prática que encontra críticas em setores do agronegócio, da segurança jurídica e de parlamentares da bancada ruralista. Os críticos argumentam que o Estado deveria buscar soluções sem depender de invasões prévias, defendendo ações estruturadas e dentro da legalidade fundiária.

Do outro lado, defensores da iniciativa afirmam que o assentamento contribui para reduzir o número de famílias sem acesso à terra e impulsiona a produção de alimentos de base agroecológica, promovendo inclusão e desenvolvimento local.

A cerimônia em Ortigueira representa, portanto, mais do que um gesto simbólico: é um capítulo da política agrária brasileira que ainda divide opiniões entre diferentes setores da sociedade.

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