A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP), um dos mais importantes conjuntos sinfônicos do Brasil, completa 40 anos de história. Em uma de suas grandes produções, a ópera “Aída”, apresentada em 1993 no Teatro Guaíra, curiosamente contou com a participação de um cavalo, um camelo e uma elefanta chamada Mila. Essa cena inusitada ainda é relembrada pelos músicos que fizeram parte daquela apresentação marcante.
Uma Superprodução Inesperada
Emprestada de um parque de Santa Catarina, a elefanta Mila simbolizava as riquezas do faraó em “Aída”, de Giuseppe Verdi. O espetáculo, uma superprodução, envolveu cerca de 400 participantes, entre dançarinos e coros, em um cenário que evocava o Antigo Egito, com a orquestra executando a trilha sonora abaixo do palco.
A violinista Simone Savytzky, membro da OSP desde sua fundação em 1985, recorda a entrada triunfal dos animais: “Tinha o desfile das riquezas do faraó. O cavalo entrou super bem, mas o camelo ficou nervoso e fez suas necessidades no palco”, conta, divertindo-se com a lembrança. Para resolver a situação rapidamente, uma “operação de guerra” foi montada, permitindo que a apresentação seguisse sem maiores problemas.
A Estrela da Noite
Mila rapidamente se tornou a estrela da noite, recebendo os maiores aplausos do público. “Era algo totalmente inusitado”, destaca Analaura de Souza Pinto, pianista da OSP. Ela ainda lembra de um incidente em que o treinador de Mila teve um pequeno contratempo com o tenor, mas tudo terminou bem. “Felizmente, o treinador tinha o controle dela”, ressalta Simone.
Incidente Inusitado
O local onde Mila ficava, o Círculo Militar do Paraná, também gerou uma situação curiosa, onde a elefanta ficou sentada em cima de um Fiat 147, o que gerou alvoroço com a equipe de segurança. Miriam Lopes, diretor artístico do Teatro Guaíra, explica que momentos como esse ajudaram a elevar o interesse do público pela ópera.
Legado Artístico
A memória de Mila ainda é preservada em uma obra do artista paranaense Poty Lazzarotto, que retratou a elefanta em uma de suas cortinas corta-fogo no teatro. Essas obras, essenciais para a segurança em caso de incêndios, também têm um papel cultural e artístico significativo, refletindo a trajetória de várias produções que passaram pelo Guaíra.
Fundação da OSP
Em relação à fundação da OSP, o desafio foi montar uma orquestra que atendesse aos padrões de qualidade, coordenado por Eleni Bettes. Um concurso público foi realizado para escolher o maestro que lideraria a orquestra, resultando na nomeação de Osvaldo Colarusso como maestro auxiliar, enquanto Alceo Bocchino foi considerado maestro emérito, figura de destaque no meio musical brasileiro.
Concerto de Estreia
Em seu concerto de estreia, um incidente também quase adiou a apresentação. Um martelo acidentalmente caiu sobre um tímpano, furando-o, mas a OSP conseguiu resolver a situação com o empréstimo de um instrumento da Universidade Federal do Paraná.
40 Anos de História
A OSP, criada oficialmente em 28 de março de 1985, celebra suas quatro décadas com três apresentações especiais, nos dias 28 e 29 de maio e 1º de junho, onde será executada a “Sinfonia nº 2” de Gustav Mahler. Além disso, uma websérie documental terá seus episódios lançados nos canais do YouTube do Instituto de Apoio à OSP e do Teatro Guaíra.
