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Carne de onça de Curitiba recebe Indicação Geográfica e entra para o hall da gastronomia nacional

Carne de onça de Curitiba

A tradicional carne de onça, um dos pratos mais emblemáticos dos bares de Curitiba, agora tem reconhecimento oficial: o prato recebeu a Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Isso significa que, a partir de agora, só Curitiba pode ser considerada a origem legítima da verdadeira carne de onça.

Um símbolo curitibano com sabor de história

Servida sobre uma generosa fatia de broa de centeio – que também tem IG desde janeiro deste ano – a carne de onça é feita com carne bovina crua, cebola branca, cebolinha verde, azeite, sal e pimenta-do-reino. Mais do que um prato, ela representa uma tradição viva da cultura curitibana, passando de geração em geração pelos balcões dos botecos da cidade.

Reconhecida como patrimônio cultural de Curitiba desde 2016, a carne de onça está presente hoje em mais de 200 bares e restaurantes da capital, segundo a Associação Amigos da Onça. O processo de reconhecimento da IG foi acompanhado pelo Sebrae/PR, em parceria com a associação.

“A carne de onça é sabor, identidade e memória. Ver esse prato típico receber a IG é também valorizar nossa cultura e nossa economia”, destacou Tatiana Neves, presidente interina do Instituto Municipal de Turismo (IMT).

O que é Indicação Geográfica?

A Indicação Geográfica (IG) reconhece a origem geográfica de um produto e suas características únicas associadas ao local. No caso da carne de onça, o selo atesta que somente Curitiba reúne os elementos culturais, ingredientes e modos de preparo específicos que definem o prato original.

“Essa é uma vitória coletiva. Menos de dois anos depois do início do processo, já temos o reconhecimento do INPI. Isso mostra a força do prato e da nossa cultura”, celebrou Márcia Giubertoni, consultora do Sebrae/PR.

Tradição que movimenta bares e turistas

O selo de IG já começa a impactar os estabelecimentos da cidade. No Bar do Dante, por exemplo, a carne de onça deixou de ser servida apenas às quintas-feiras e passou a fazer parte do cardápio diário.

“O pessoal pede cada vez mais. Agora tem todo dia e está vendendo bem”, contou o proprietário Dante Manfron.

No CanaBenta, o sucesso é explicado por um ingrediente essencial: autenticidade.

“É o prato mais procurado, chama a atenção dos turistas e tem história. A IG só confirma aquilo que a gente já sabia: essa iguaria é nossa, e é especial”, afirma Délio Canabrava.

E por que o nome “carne de onça”?

A origem do nome é curiosa: tudo começou nos anos 1940, nos bastidores do time Britânia Sport Club. Ao provar uma carne crua, um dos jogadores brincou: “Essa carne é tão bruta que nem onça come”. A frase virou piada, depois apelido – e acabou batizando um dos pratos mais queridos da cidade.

IG impulsiona turismo e economia local

Com a IG, a carne de onça passa a fazer parte do seleto grupo de produtos com origem protegida no Brasil, reforçando o valor cultural e econômico da gastronomia curitibana.

“A cidade não vive só de pinhão, frio e sotaque puxado. Vive também de histórias boas contadas com gosto – e com gosto de carne de onça”, finaliza Tatiana Neves.

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