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10 fatos para entender a corrida eleitoral no Paraná na janela partidária

A janela partidária de 2026 acelerou a disputa pelo Governo do Paraná e tirou o cenário da especulação para colocá-lo, de vez, no terreno da articulação aberta. Em poucos dias, o estado viu pesquisas reafirmarem a competitividade de Sergio Moro, a troca de partido do senador, a desistência de Ratinho Junior da corrida presidencial e uma reorganização interna no grupo governista em torno dos nomes que passaram a ser observados com mais atenção para a sucessão. O pano de fundo é conhecido da política: quando a janela se abre, os movimentos deixam de ser apenas conversas de bastidor e passam a produzir efeitos concretos sobre alianças, filiações e estratégias. A janela de 2026 começou em 5 de março e vai até 3 de abril para deputados federais e estaduais.

1. Sergio Moro entrou na janela partidária como o nome mais competitivo do momento

O dado mais relevante das últimas semanas é que Sergio Moro chegou à janela partidária liderando os principais cenários testados para o Governo do Paraná. Pesquisa do instituto Paraná Pesquisas divulgada em 12 de março mostrou o senador à frente em todos os cenários de primeiro turno. Em um deles, apareceu com 44% das intenções de voto; em outro, com 43,7%; e, num terceiro, com 44,2%. Mais do que a fotografia numérica, o efeito político foi o de consolidar Moro como referência obrigatória para qualquer cálculo eleitoral no estado.

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(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

2. A liderança nas pesquisas não decidiu a eleição, mas mudou o comportamento dos adversários

Em política, pesquisa não encerra disputa, mas altera a dinâmica dela. No caso paranaense, a repetição de resultados favoráveis a Moro em março elevou o grau de urgência entre os demais grupos políticos. A consequência prática foi uma aceleração das conversas sobre alianças, candidaturas e reposicionamentos partidários. O ponto central não é apenas que Moro lidera; é que sua liderança passou a influenciar decisões dos outros atores relevantes do tabuleiro.

3. A troca de partido de Moro foi um movimento estruturante, não apenas burocrático

A filiação de Sergio Moro ao PL, formalizada em 24 de março, foi um dos fatos mais importantes da janela no Paraná. A mudança tirou o senador de uma posição politicamente mais incerta no União Brasil e o colocou numa legenda com estrutura nacional robusta e disposição mais clara para bancar sua candidatura estadual. Na prática, a filiação deu previsibilidade à pré-campanha de Moro, reforçou seu palanque e reorganizou o campo da direita no estado.

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Foto: Divulgação Assessoria de Imprensa/PL

4. A ida de Moro ao PL produziu efeitos internos imediatos no partido no Paraná

A filiação do senador não mexeu apenas com a disputa externa; ela também alterou o comando e o equilíbrio interno do PL paranaense. Reportagens publicadas nos últimos dias registraram a saída de Fernando Giacobo da presidência estadual do partido e a ascensão de Filipe Barros ao comando da legenda no estado. Esse movimento é importante porque mostra que a candidatura de Moro não foi absorvida de forma apenas protocolar: ela exigiu rearranjos de poder dentro da própria sigla.

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1 de 1 Filipe Barros e Jair Bolsonaro
– Foto: Reprodução Facebook

5. Ratinho Junior desistiu da corrida presidencial e recolocou o foco na sucessão estadual

Outro ponto de inflexão foi a decisão do governador Ratinho Junior de não disputar a Presidência da República e permanecer no cargo até o fim do mandato. O anúncio foi feito em 23 de março. Politicamente, a decisão produziu dois efeitos imediatos: preservou a continuidade administrativa do governo e devolveu ao governador papel central na montagem de sua sucessão. Ao permanecer no Palácio Iguaçu, Ratinho amplia sua capacidade de coordenação sobre a base, sobre os partidos aliados e sobre a escolha do nome que tentará representar o grupo governista em 2026.

6. Nos bastidores, a leitura predominante é que o Paraná pesou mais do que o projeto nacional

A versão pública da decisão de Ratinho Junior está ligada à permanência no governo e à conclusão do mandato. Mas, no bastidor relatado pela imprensa política, a avaliação é que a reorganização do cenário no Paraná pesou fortemente no cálculo do governador. Reportagens apontam que a aliança de Moro com o PL e a necessidade de preservar a sucessão estadual levaram Ratinho a recalibrar a própria estratégia. É uma informação que precisa ser tratada como leitura de bastidor, e não como fato oficial, mas ela aparece com força na cobertura recente da disputa.

7. Rafael Greca se movimentou para continuar no centro da disputa

Rafael Greca também protagonizou um passo importante ao trocar o PSD pelo MDB, em 19 de março, e assumir uma posição mais nítida de pré-candidato ao governo. Ex-prefeito de Curitiba e atual secretário estadual, Greca se apresenta como um nome com experiência executiva, forte associação com a capital e capacidade de dialogar com campos diversos da política paranaense. Sua migração partidária ampliou o leque da disputa e mostrou que ele não pretende esperar passivamente pela definição do grupo governista.

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Foto: Arquivo Rafael Greca

8. Alexandre Curi permaneceu como peça central porque reúne lastro institucional e articulação política

No núcleo governista, Alexandre Curi nunca deixou de ser um nome relevante. Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, ele ocupa uma posição institucional de peso e mantém presença constante nas conversas sobre a sucessão. Reportagens desta janela mostram que Curi chegou a trabalhar alternativas partidárias, mas sinalizou permanência no PSD, o que o mantém como um dos nomes mais consistentes do grupo de Ratinho Junior.

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Foto: Alep

9. Guto Silva perdeu espaço relativo, mas não desapareceu do jogo político

Guto Silva era visto, até pouco tempo, como um dos nomes mais fortes no radar do grupo governista. Nas últimas horas, porém, a imprensa local e regional passou a registrar que ele não deverá ser o candidato do PSD ao governo. Isso não significa desaparecimento político, mas sim mudança de posição no tabuleiro. Em cenários assim, lideranças que deixam de ser prioridade para a cabeça de chapa frequentemente continuam relevantes para a composição majoritária, para o desenho de alianças e para o palanque de 2026.

Deputado Guto Silva (PP).
Foto: Alep

10. O grande fato da janela é que o Paraná saiu da fase de expectativa e entrou na fase de definição

O resumo mais preciso deste momento é que a política paranaense deixou a etapa das hipóteses genéricas e entrou na etapa das decisões com impacto real. Moro chega ao fim de março fortalecido por pesquisas e por estrutura partidária mais definida. Ratinho Junior permanece no governo e retoma protagonismo direto sobre a própria sucessão. Greca se reposiciona por outra sigla. Alexandre Curi continua em alta como opção de densidade institucional. Guto Silva perde centralidade. E tudo isso acontece dentro de um calendário apertado, num ambiente em que cada movimento partidário já passa a ser lido como peça de construção eleitoral.

O que o paranaense deve observar daqui para frente

Nos próximos dias, o ponto principal será perceber se o grupo ligado ao governador conseguirá unificar seu campo em torno de um nome com densidade suficiente para enfrentar Moro em condições competitivas. Também será importante observar como o MDB de Greca pretende se posicionar na prática e se a reorganização do PL no Paraná dará a Moro o grau de capilaridade regional que uma eleição majoritária exige. A janela partidária não define sozinha a eleição, mas costuma revelar, com clareza, quem entra no jogo para valer e quem ainda procura um lugar na disputa.

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