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Sobre o que sobra do Samba

Sou um roqueiro. Irrefutavelmente, um roqueiro. De todas as sazonalidade que vivo, o rock talvez seja a maior constância, como uma pedra atemporal entre águas transitórias.

Mas, confesso, ando meio enjoado de rock. Por mais que eu ame camarão, em excesso eles me causam alergia; desta forma, venho expandindo as fronteiras do meu gosto musical nos últimos anos.

Naveguei pelas águas do blues e do jazz, peguei onda na MPB e na música clássica, mas com alguma frequência atraquei na praia do samba. Areia estranha a desta praia.

O samba me causa uma dualidade de sentimentos. Me faz querer sacolejar de modo esquisito, tipo aqueles nenéns que mal andam e querem dançar, mas ao mesmo tempo o samba me faz submergir num condensado frio de melancolia. E isso nenhum outro estilo me faz.

Dizia que sou um roqueiro. O rock é intenso, como uma paixão púrpura; é como sexo, com todo seu fulgor. O samba é como aquele amor que não deu certo, bonito, profundo e triste. Sobretudo triste. Mas ainda assim bonito.

Não consigo passar impassível pelo samba. Ao zarpar de sua praia, suas areias esquisitas me acompanham, grudadas nos meus pés.

Sobre o que sobra do Samba? Uma ressaca. Ressaca de Samba.

E esta crônica, naturalmente.

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