Um vídeo da aula de Educação Física da Escola Municipal Sidônio Muralha, na CIC, viralizou na última semana nas redes sociais. A gravação mostra quando o professor Rogério Veiga, de 34 anos, cava um pênalti e incentiva a participação de um aluno cadeirante na partida de futebol.

Os alunos vibram com o gol marcado com as mãos. A cena chamou atenção de um vizinho da escola, que, sem avisar, filmou tudo e postou na rede, no dia 22 de novembro. A cena de inclusão e solidariedade chegou a 200 mil pessoas no Facebook.

Rikelmy Trevisan, de 7 anos, nasceu com mielomeningocele, má formação da coluna vertebral, que o deixou sem mobilidade nas pernas. Frequenta todas as aulas normalmente e está no segundo ano do ensino fundamental.

“Embora ele não tenha os movimentos das pernas, participa de todas as aulas e, às vezes, eu tenho que fazer pequenas adaptações, como no dia em que marcou o pênalti com as mãos”, conta Veiga.

O professor de Educação Física já trabalhou com outras crianças com deficiência na rede municipal de ensino. “Aprendi na prática a adaptar as aulas e incluir crianças com deficiência física e intelectual”, conta. Mas, segundo ele, a disposição e alegria Rikelmy são impressionantes.

“Ele é participativo, carinhoso, esperto e alegre. As outras crianças adoram a companhia dele no recreio e ele está sempre cercado de gente”, conta Veiga.

Riquelme e Romário

Apaixonado por futebol, o são-paulino Rikelmy tem o nome em homenagem ao ex-jogador argentino Juan Román Riquelme. Para a felicidade do menino, e com a grande a repercussão do vídeo, até o ex-jogador da Seleção Brasileira Romário comentou sobre o exemplo de Curitiba. Veja aqui o post do Facebook.

“O professor, ao perceber que o garotinho estava excluído durante uma partida de futebol, logo pegou a bola e incluiu o aluno na brincadeira. Ele chama a atenção dos que estão no pátio e convoca o menino para cobrar o pênalti. Em seguida, entrega a bola em suas mãos e autoriza a cobrança. Adivinha? Gol! Parabéns ao aluno e ao professor, que também marcou um golaço!”, escreveu Romário.

“Gosto de jogar futebol com os meus colegas e fiquei muito feliz com o comentário do Romário”, disse o menino.

Rikelmy conta, ainda, que não falta as aulas e tem muitos amigos na escola. “Me sinto bem aqui e igual aos meus colegas”.

Tamanha motivação inspira professores e funcionários. “Crianças como ele são uma inspiração para vir trabalhar todos os dias. O Reikelmy é especial, porque tem muita vontade de viver e um sorriso que cativante”, disse a inspetora Elisangela Frazão.

Rede colaborativa

Atitudes inclusivas que fortalecem o acesso e a permanência das crianças e dos estudantes estão presentes nesta e em todas as unidades da rede municipal de ensino. Atualmente a rede conta com aproximadamente 2.500 crianças e estudantes em inclusão, em turmas de educação infantil e do ensino fundamental.

Uma das prioridades da Secretaria Municipal da Educação é trabalhar para que todos sejam atendidos em suas especificidades, incluindo no processo de escolarização ações voltadas à promoção do desenvolvimento e a participação efetiva dos estudantes com deficiência. Estas ações estão em expansão desde 2017.